A filósofa Martha Nussbaum ganhou o prémio John W. Kluge 2026 - Achievement in the Study of Humanity (Library of Congress, 22 de setembro de 2026).
📖 Na sua obra «Sem Fins
Lucrativos - porque precisa a democracia das humanidades» (2019, Edições 70),
Nussbaum chama a atenção para as perdas que derivam de uma educação orientada
exclusivamente para o crescimento económico, nomeadamente o risco de esquecer
aquilo que torna possível uma democracia. Isto é, pessoas capazes de pensar por
si próprias, de questionar, de argumentar, de imaginar a experiência do outro e
de participar criticamente na vida comum.
Menciono aqui particularmente, o «Capítulo IV - A Pedagogia Socrática: a
importância do Argumento».
Neste capítulo, Nussbaum recupera a figura de Sócrates e a importância da
interrogação, do exame das nossas próprias ideias e da disposição para submeter
aquilo em que acreditamos à força dos argumentos.
A pensadora indica-nos Matthew Lipman e a sua proposta de Filosofia para
Crianças como uma possibilidade concreta de ensinar socraticamente.
Fica um par de linhas, caso não conheça:
💡
«...Lipman parte da convicção de que as crianças são seres ativos e
inquisidores cuja capacidade para explorar e interrogar deve ser respeitada e
desenvolvida - um ponto de partida que ele partilha com a tradição progressista
europeia. Ele e o seu colega filósofo Gareth Matthews partilham a ideia de que
as crianças são capazes de pensamento filosófico interessante, que não passam
de uma fase a outra de maneira predeterminada, mas meditam ativamente nas
grandes questões da vida, elaborando raciocínios que devem ser levados a sério
pelos adultos.»
💡
«Não é uma aspiração utópica pretender gerar ambientes socráticos nas salas de
aula do básico e secundário...»
💡
A propósito das novelas criadas por Lipman, especificamente Harry
Stottlemeier's Discovery: «A lógica é real e muitas vezes governa as nossas
relações com as outras pessoas. Muitas calúnias e estereótipos funcionam
exatamente desta maneira, através de inferências falaciosas. A aptidão para
detetar a falácia é uma das coisas que tornam a vida democrática digna.»
🙂
Trabalhando no âmbito da Filosofia para Crianças, este aspeto da obra não
poderia deixar de se mencionar. Porém, a obra percorre muitos outros aspetos
cativantes. É o caso da vulnerabilidade, cujo reconhecimento «…nos torna
sociáveis e nos orienta para a humanidade.»
Parabéns, Martha Nussbaum!
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