domingo, 11 de janeiro de 2015

Encontros do DeVir Jr, O Bairro do Erro



O ciclo de Encontros do DeVir Jr arrancou ontem com os primeiros workshops de cada uma das áreas de criação. Para cada 90 minutos de Voz, Percussão, Música Electrónica ou Dança, houve 30 minutos de Filosofia Prática.
O tema deste primeiro encontro foi o Erro: na direcção da construção de uma cidade utópica, composta por vários bairros, começámos pelo Bairro do Erro.
 
Dada a hipótese de os participantes, à entrada da sala, escolherem sentarem-se no Bairro do Erro ou no Bairro do Certo, todos escolheram o Bairro do Certo.
Quais os seus motivos? Por gostarem de fazer o que é certo, porque está certo fazer o certo e porque devemos fazer o certo.
No entanto, hummm... 

O grupo considera que todos erramos, isso é natural em nós embora não gostemos quando isso acontece.
Afinal, fomos ensinados a fazer as coisas da maneira certa.
 
[Bem, parece pois que todos somos habitantes do Bairro do Erro e queremos viver fora do nosso lugar natural...]
 
Mas... Será que nos ensinam sempre da maneira certa? Talvez não, talvez nos ensinem da maneira que querem ensinar-nos. Ou da maneira que foi convencionada como certa. Ou da maneira que sabem.

Ou talvez certo e errado não existam... Talvez seja isso, cada um tem a sua opinião e temos de respeitá-la.
E se dissermos que não devemos respeitar a opinião de cada um? Estará isso certo? Ou acabamos de encontrar uma linha separadora entre o certo e o errado?
Depende.
Drogar-se está certo ou errado?
Depende.
Matar por puro capricho, está certo ou errado?
Depende.
Depende.
Depende.
Dep... 
 
(O primeiro grupo sai e dirige-se às respectivas áreas de criação.)
 
Continuámos o nosso esmiuçar do Erro: pode ser fatal ou não; pode ser propositado ou não; pode ser colectivo (guerras, atentados, máfia... - de facto, as maiorias ou grupos de variada dimensão, por vezes, erram.) ou pessoal e pode até ter consequências boas (fazer o que nos dá prazer, dialogar mais com um amigo porque ter de lhe pedir desculpas ou não (bem como o certo pode ter consequências negativas - ser demasiado certinho pode ser mau/ aborrecido).
Passámos pela diferenciação entre estar consciente e querer o erro e pela perspectivação do erro em termos morais (dever fazer ou não, por estar certo ou errado) e em termos ontológicos e ou epistemológicos (aquilo que é vs aquilo que não é, respectivamente ser vs não ser; verdade vs falsidade.)
 
O som das vozes na sala ao lado acompanhou-nos até ao momento de os participantes se deslocarem para a Percussão e para a Dança. Mas não sem antes nos deixarem os conceitos que, no seu entender, melhor caracterizaram a sessão:



Até breve, até ao próximo bairro!





sábado, 10 de janeiro de 2015

Café Filosófico - O conhecimento tem limites?

GUIMARÃES - 8 JANEIRO - HOTEL DA OLIVEIRA
 

 
Mais um momento da parceria com a
ASSP (Associação de Solidariedade Social dos Professores) - Delegação de Guimarães

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Bizarrias

Hoje o 2º A conheceu o Leonardo Bizarro. Um menino que tem no sótão um lugar secreto cheio de artimanhas e invenções, onde só a Ágata entra. Tem um caderno com as suas invenções e a receita para inventar que também só à Ágata lê.
 
Por entre o esclarecer de palavras desconhecidas e perguntas como «Porque é que diziam que o Leonardo era bizarro?» (T.) ou como «Porque é que é preciso um código secreto para a nossa invenção?», a comunidade de investigação entrosou-se pelas várias vertentes de exploração da história.
Perguntou, clarificou e ou respondeu e problematizou. Bizarro significa estranho (T.) , ou exquisito (A.); O Leonardo era considerado bizarro porque inventava coisa estranhas e porque não gostava nem de jogar à bola nem de ver televisão e toooda a gente gosta.(grupo) Mas não faz mal não se gostar de ver televisão. (grupo)
Concluímos ainda que podemos inventar coisas estranhas mas que nos dão prazer a criar (T., S. e D.) e que essas coisas até podem ser inúteis. (A.)
 
Em stereo a toda esta informação a acontecer, já o D. tinha ideias mirabolantes de invenções que o faziam andar de um lado para o outro da sala sem parar, ao mesmo tempo que pensava.
 
Aproveitando a junção de nomes de realidades diferentes, ouvidas na história de Leonardo, ou utilizando palavras já conhecidas para novas realidades, criaram-se imparavelmente invenções:
 
Coelhos para ajudar pessoas, que funcionam com amor. Nós damos-lhes amor e eles fazem tudo o que nós quisermos.
O Gamante - um gato que produz diamantes.
O Robot-menina, que serve para fazer brinquedos carregando-se num botão violeta. É feito de ferro.
O Carpé, que funciona a pedal e não polui nem gasta dinheiro em gasolina.
O ARobou, um robot que faz todas as tarefas domésticas na vez do pai ou da mãe. Assim, já podem ficar descansados e brincar com os filhos. Funciona a pilhas com a duração de janeiro a dezembro.
O BoneSol, um boneco feito de sol que serve para fazer rir. Não derrete porque não é feito de neve, mas sim de sol.
A Máouro, uma máquina que funciona a vento e serve para produzir ouro. Colocamos 2kg de ouro na máquina e ela faz 10kg.
E por último a Coiqaija - uma máquina de viajar no tempo que funciona com tecnologia.
 
Caso o leitor esteja interessado em avançar com a produção de uma ou várias destas invenções, está desde já prevenido que todas estão devidamente patenteadas, pois, como vimos no início da sessão, um código secreto para as nossas invenções é muito importante para ninguém roubar ou copiar as nossas ideias. (T. e D.)
 
Obrigado a todos pela sessão e votos de um 2015 criativo!!
LSilva
 
 
 









quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

ANO NOVO, MUNDO MELHOR ! - Filosofia no 1º Ciclo do Colégio Efanor

Última sessão de 2014.
Ao ditado popular "Ano Novo, Vida Nova" introduzimos uma variação.
Que tal ANO NOVO, MUNDO MELHOR ?

Eis as propostas para melhorar o mundo em 2015:
Ao longo de 65 minutos foram objecto de problematização, fundamentação e exemplificação
 seguindo a seguinte estrutura:

Melhora o mundo?
Como  melhora o mundo?
É possível realizar?
Tem consequências negativas para o mundo?

Bom Natal e Feliz Ano Novo
para os meninos do 1º ciclo do Colégio Efanor no Porto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Filosofia no Pré-Escolar: da busca de elementos comuns ao critério de identificação do Pai Natal

O desafio inicial era agrupar os fantoches em função de elementos comuns. De seguida avançamos para a sua identificação, problematização e conceptualização.
Por exemplo: o sapo, o tubarão, a tartaruga e o mergulhador andam na água (mas o mergulhador não vive na água); o papagaio, o sapo e a tartaruga são verdes; o leão, o tubarão e o elefante são perigosos; o coelho, o rato e o urso-panda são fofinhos...

 
Eis os fantoches com mais elementos comuns:


1º -Todos são pessoas;
2º -Todos são profissões (após alguma investigação concluiu-se que ser Pai Natal também é ocupação profissional);
3º -Todos têm olhos azuis;
4º -Todos têm chapéu (uma vez mais o exemplo Pai Natal gerou controvérsia pois foi avançada a tese que é o único a quem não sai o chapéu porque " faz parte dele".  5 minutos de discussão: o grupo concordou que era mesmo assim! Assim, encontramos um critério para resolver uma intemporal questão: se for possível tirar o chapéu então é porque não é o verdadeiro Pai Natal, é só um daqueles que "vemos no shopping").

Naturalmente saíram da sessão com intenção de testar o critério em todos os todos os encontros com aqueles que são identificados como Pai Natal. Atenção aos impostores!
 
Bom Natal para os meninos do Centro Escolar de S. Miguel de Nevogilde no Porto.
Vemo-nos em Janeiro!

domingo, 7 de dezembro de 2014

3ª edição do Curso de Formação FILOSOFIA PARA CRIANÇAS: fundamentos, métodos e práticas

Antes da conclusão da 2ª edição, estão já abertas as inscrições para a 3ª:

Curso de formação acreditado CCPFC (1 crédito - 25h presenciais)
 
Destinatários: Educadores de Infância,  Professores do 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico, técnicos que desenvolvam trabalho com crianças e todos os interessados em aventuras do pensamento.
 
Local: Guimarães (sede da ASSP)
 
Calendarização: 24 e 31 de Janeiro e 7 e 21 de Fevereiro de 2015
 
 
Custo: 35€ (associados da ASSP têm 50% de desconto)
 
 
Mais um desenvolvimento da parceria com a
ASSP (Associação de Solidariedade Social dos Professores) - Delegação de Guimarães

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Contradição Humana

Esta semana a obra A Contradição Humana, de Afonso Cruz, visitou as habituais sessões de Filosofia para Crianças do Agrupamento de Escolas Dr.ª Laura Ayres.
 
«Com o devido espírito» da obra trabalhámos a definição e ainda houve espaço para encontrar exemplos.
 
Antes de ler a história as definições avançadas variavam entre o não faço a mínima ideia, a vida, exploração, descoberta, ou, aproveitando a sonoridade, contra a tradição.
 

 
A contradição, como grande parte da ausência de lógica, provocou boas gargalhadas e perplexidade - como é possível alguém desafinar tanto numa canção de embalar que não deixa ninguém adormecer!!! (figura abaixo)
 
E também alguma identificação: afinal há muitos animais em gaiolas, aquários e terrários presos por amor! É o caso da tartaruga da Lara e do canário do Daniel (penso que já falámos dele aqui :) ) Já o Leandro lembrou-se de quando estava a escrever com uma borracha, o Rui do quanto gosta da irmã e a quer ver longe. O Gonçalo falou do seu amor pela Bia ao mesmo tempo que é amigo dela. (Bem, penso que a afirmação deste exemplo como contradição daria pelo menos mais uma sessão inteira.)
 
 
 
As palavras definidoras, depois de ouvir a história e dos exemplos reconhecidos e partilhados, passaram a antónimo, baralhado, fazer o contrário como os malucos, fazer tudo mal, trocar.
 
Foi o momento de forçar uma separação: 
Onde existe a troca ou a baralhação em gostar de pássaros?
«-Eu gosto muito de pássaros.» - há algo de errado nisto?
A resposta foi evidente: não há nada de errado ou trocado em gostares de pássaros, mas não podes gostar deles e prendê-los. Porque senão eles ficam infelizes. Quando gostamos de alguma pessoa não a queremos infeliz.
 
Eis o que procurávamos desde o início das sessões: há coisas que não se podem dizer e ou fazer ao mesmo tempo: seria uma contradição!
 
 
Obrigada a todos pelas excelentes sessões!
 
 
 
(Recomendo vivamente a obra, apesar de a ter aplicado a sessões com o 2º e 4º ano ela pode na perfeição estender-se a públicos com mais idade, sob outros enfoques ou aproximações.)
 



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Último CAFÉ FILOSÓFICO do ano em GUIMARÃES

4 Dezembro - 5ª feira - 21:30
 

CAFÉ ÓSCAR
 (Rua Dr. José Sampaio, n.º 5 - Junto ao S. Mamede)
 
Mais um desenvolvimento da parceria com a
 ASSP - Associação de Solidariedade Social dos Professores - Delegação de Guimarães.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

As tuas ideias pertencem-te?

 

O livro que levei comigo era um...
Mas o que nos acompanhou durante a sessão foi outro, que pelas mãos da Lígia nos chegou da Biblioteca: O que é o Saber?, do professor Oscar Brenifier editado em Portugal pela Dinalivro.

 
Escolhemos trabalhar o separador Ideias e a primeira pergunta - As tuas ideias pertencem-te?
A Lígia experimentou comigo o papel de facilitadora de uma sessão de Filosofia para Crianças, o Gonçalo ajudou na escuta do essencial e sua anotação no quadro.
 
A Lígia rapidamente percebeu que tinha que perguntar o porquê das respostas afirmativas e das negativas.
As nossas ideias pertencem-nos porque saem da nossa cabeça, nós construímo-las com o nosso cérebro e, se nos dão a ideia ela é nossa, foram as justificações apontadas.
(As variantes a este sim foram o não e um mais ou menos que tinha dificuldades em posicionar-se numa das anteriores por verificar que há situações em que a ideia é nossa (partiu de nós, da nossa cabeça) e outras em que, partilhada, passa a ser de uma equipa ou de um grupo.)
 
Ora, observando esta última justificação e a situação da equipa que recebe uma ideia de alguém, a Lígia e eu resolvemos passar a uma segunda pergunta: o que te põe as ideias na cabeça?

Os sentidos,
um livro,
outra pessoa,
um tablet e a internet,
as proteínas e a força sanguínea,
perguntas,
Filosofia e disciplinas,
brincar,
actividades,
crescimento
(João- À medida que crescemos vamos sabendo mais coisas, ficamos como mais ideias.
Pára tudo: Gonçalo - Isso quer dizer que os mais crescidos são mais inteligentes do que os menos crescidos?! Claro que não!  O João esclareceu: - Ficamos a saber mais coisas, mais matemática, mais palavras, mas podemos não ficar mais inteligentes.),
discutir e conversar,
e a hipnose
(se bem  que o Diogo queria caracterizar aquelas situações em que ficamos UAU!!, boquiabertos e pasmados com algo. São situações emocionantes e ficamos com aquela ideia na cabeça. O grupo reviu o conceito e sugeriu espanto. O Diogo aceitou a sugestão.).
 
Foi tão fácil concluir como ouvir o toque de saída: grande parte das nossas ideias (senão a maioria ou mesmo a totalidade) vêm de coisas, pessoas ou situações fora de nós, por isso uma das primeiras ideias avançadas - saem da nossa cabeça - ganhou uma dimensão bem mais restrita!
 
 

 
 
Grata a todos pelo empenho!!

Ouçamos a Francisca: ideias maiores, melhores e mais grandiosas!

FILOSOFIA COM CRIANÇAS - 1º CICLO - COLÉGIO EFANOR
 
Depois de 2 meses de sessões, chegou a altura de indagar:
A resposta da Francisca foi a escolhida para análise.
"Maiores, melhores e mais grandiosas. "
Porquê? Como? Exemplos? O que acontece?
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Filosofia no Pré-Escolar - ÉS UMA PESSOA TOTÓ? ÉS TRAQUINAS OU NÃO ÉS?

Agrupamento de Escolas S. Miguel de Nevogilde, Porto.
Pré-escolar:  grupo dos 5 anos.

O estímulo desta semana foi uma pergunta: O QUE É CONHECER UMA PESSOA?
Depois de 10 minutos o grupo acordou numa possibilidade: É SABER COISAS SOBRE ELA, COMO É POR FORA E POR DENTRO.
 
Então, QUE PERGUNTAS PODEMOS FAZER PARA CONHECER ALGUÉM? (A Lara lembrou que já nos conhecemos há muito tempo. Se calhar era boa ideia alguém sair, voltar a entrar e fingir que não o conhecemos.)

Excelente! Fui o escolhido: lá saí e coberto pelo véu do desconhecimento voltei a entrar na sala.
O grupo iniciou o questionamento:Qual o teu nome?; Quantos anos tens?; És uma pessoa boa ou má?; És mentiroso?; Onde vives?; És tio ou pai?; És um ladrão?; Vives no Porto ou no Brasil?; És sonâmbulo?; Voas ou não voas?; Já viajaste para longe?; És traquinas ou não és?; Andas debaixo de água?; És rico ou pobre?; És uma pessoa totó? ; Andas de prancha?; Transformas-te em peixe?
Concluída a inquirição, consideraram que já saber coisas importantes sobre mim, de dentro e de fora.
 
Concluímos a sessão preparando a próxima: QUEM GOSTAVAS DE CONHECER?
Eis as respostas a partir das quais retomaremos a investigação na próxima semana: Uma pessoa que voasse e ficasse sereia à noite.; Uma pessoa que se portasse muito bem., Os cães da minha tia.; Uma pessoa que nade muito bem.; Uma sereia que cantasse muito bem.; Uma pessoa da televisão.; A minha avó.; Todas as pessoas do mundo menos as que já conheço.; Um super herói.; O chefe do mundo.
Continua...

Café Filosófico no Colégio Efanor

DESAFIOS DA EDUCAÇÃO
com Pais e Encarregados de Educação
 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Qual o estado do teu coração?

Na sessão passada o grupo do 4º ano estava entusiasmado com um texto lido e relido na aula de Português, tanto que quiseram apresentar-mo. Ainda bem, tratava-se de um dos textos de O Inventão, de Manuel António Pina - «Homenagem aos Pés».

Realizaram-se perguntas a partir do texto (e não sobre o texto) e elegeu-se a mais interessante, que, neste caso, levou a comunidade de investigação a uma bela sessão:
«O Inventão será deficiente?»


Foi hora da competência filosófica da clarificação: o que é ser deficiente?
As diferenças entre ser doente, ter uma doença muito grave e ser deficiente estabeleceram limites entre os conceitos mas não foram capazes de uma definição coesa de deficiente. Não obstante o grupo distinguir/ conhecer alguns tipos e origens de deficiência.
Acabámos por nos dirigir para a questão da felicidade - Pode alguém deficiente ser feliz?

E é neste ponto, com um Não convicto  dos participantes, que passamos para a sessão de hoje. A visualização da curta-metragem Cordas deu o mote de entrada.

Pedida a moral da história, numa frase simples e directa, aparece a felicidade de alguém, não dependendo (pelo menos em exclusivo) das sua incapacidades físicas ou mentais.

«A amizade une as pessoas, como as cordas e as pontes.»
«A amizade faz as pessoas felizes.»
«Devemos ajudar as outras pessoas.»
«Quando imaginamos podemos ficar felizes.»

Abaixo ficam algumas perguntas para uma entrevista imaginária a alguém com deficiência:



Obrigada pelo envolvimento de todos!