sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MARCO AURÉLIO - MEDITAÇÕES

"A duração da vida não passa de um momento, a matéria é um fluir, a alma é um turbilhão, a fortuna fugidia... o que é que existe capaz de guiar um homem? ... a filosofia."
 Marco Aurélio (121-180) 

Aceda aqui ao texto MEDITAÇÕES, a tentativa de vida estóica do imperador-filósofo.

Entrada sobre MARCO AURÉLIO na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FILOSOFAR E SER CRIANÇA por Cecília Reis Maia

                           Publicação no PORTAL DA CRIANÇA - Agosto 2012

"A distinção entre as denominações Filosofia para Crianças ou Filosofia com Crianças parece-nos importante apenas como tomada de consciência daquilo que é ou deverá ser a prática filosófica com crianças."
Siga o LINK para o artigo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Razão ao serviço da Vida ou a Vida ao serviço da Razão - a resposta de Ortega y Gasset

Na sequência do Café Filosófico de dia 23 sobre o papel da Razão na Vida, deixamos o contributo de Ortega y Gasset.

"Hoy vemos claramente que, aunque fecundo, fue un error el de Sócrates y los siglos posteriores. La razón pura no puede suplantar a la vida: la cultura del intelecto abstracto no es, frente a la espontánea, otra vida que se baste a sí misma y pueda desalojar a aquélla. Es tan sólo una breve isla flotando sobre el mar de la vitalidad primaria. Lejos de poder sustituir a ésta, tiene que apoyarse en ella, nutrirse de ella como cada uno de los miembros vive del organismo entero.
Es éste el estadio de la evolución europea que coincide con nuestra generación. Los términos del problema, luego de recorrer un largo ciclo, aparecen colocados en una posición estrictamente inversa de la que presentaron ante el espíritu de Sócrates. Nuestro tiempo ha hecho un descubrimiento opuesto al suyo: él sorprendió la línea en que comienza el poder de la razón; a nosotros se nos ha hecho ver, en cambio, la línea en que termina. Nuestra misión es, pues, contraria a la suya. A través de la racionalidad hemos vuelto a descubrir la espontaneidad.
Esto no significa una vuelta a la ingenuidad primigenia semejante a la que Rousseau pretendía. La razón, la cultura more geometrico es una adquisición eterna. Pero es preciso corregir el misticismo socrático, racionalista, culturalista, que ignora los límites de aquélla o no deduce fielmente las consecuencias de esa limitación. La razón es sólo una forma y función de la vida. La cultura es un instrumento biológico y nada más. Situada frente y contra la vida, representa una subversión de la parte contra el todo. Urge reducirla a su puesto y oficio.
El tema de nuestro tiempo consiste en someter la razón a la vitalidad, localizarla dentro de lo biológico, supeditarla a lo espontáneo. Dentro de pocos años parecerá absurdo que se haya exigido a la vida ponerse al servicio de la cultura. La misión del tiempo nuevo es precisamente convertir la relación y mostrar que es la cultura, la razón, el arte, la ética quienes han de servir a la vida."

El tema de nuestro tiempo, en «Obras completas», vol. III, Revista de Occidente, Madrid 1966-69, p.177-178.

Siga o LINK para a entrada sobre Ortega y Gasset na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Da prática filosófica sob o regime estético das artes e cumprimento do ethos filosófico - uma reflexão a partir da leitura de A partilha do sensível* de Jacques Rancière


- Pode a busca cooperativa de uma resposta ser pensada a partir do regime estético da arte de Rancière?

Propomos que o conceito de regime de arte enquanto modo de articulação do fazer, do ver e conceptualização dos anteriores e, em particular, o regime estético da arte como condição de pensabilidade e identificação das artes se apresenta como oportunidade para a revalorização das Novas Práticas Filosóficas, nomeadamente na sua dimensão de dinamização filosófica, ou seja, diálogos de matriz socrática realizados em situação, em público.
A emergência das (Novas) Práticas Filosóficas dentro do regime estético da arte afirma-se não enquanto ruptura mas fundamentalmente como decisão de reinterpretação do que faz a Filosofia e do que a Filosofia faz. Nesse sentido, as (Novas) Práticas Filosóficas são expressão de um tempo e espaço civilizacional anteriormente desvalorizado como a “parte não filosófica” da Filosofia.

- Pode o diálogo filosófico, na sua radicalidade e exigência de presença, à semelhança de uma pintura, escultura ou obra literária, abrir fissuras no consenso e obstaculizar a redução da política à polícia?

Defendemos que o diálogo filosófico não difere da obra de arte nas suas potencialidades de exigência de presença total do espectador/participante, na criação de rupturas que gritam pela sua exploração e doação de sentido e, por fim, a adequação do diálogo filosófico à abertura de múltiplas possibilidades.
O diálogo filosófico, enquanto performance colectiva incoreografável visível através da crítica argumentativa, põe em jogo todos os intervenientes (não há espectadores) e por meio da imprevisibilidade do agenciamento afirma-se como força de desestabilização, de crítica das pretensas evidências e cristalizações do senso comum, de criação e descoberta de novos conceitos e relações e de emergência de sentidos tributários da não intencionalidade colectiva.
Será este momento colectivo de constituição atómica e resultado não antecipável terreno fértil para a legitimação e suporte do que Rancière define como polícia? Não cremos. Pelo contrário, e em casos porventura excepcionais, porque trabalho de problematização e interrogação da actualidade, pode constituir-se como brecha ou semente de brecha na lógica de funcionamento da mesma. A produção de um novo conceito, a descoberta de contradições no discurso legitimador da polícia, o estabelecimento de relações até então invisíveis e não actuantes pode desconfigurar a ordem do sensível tida como natural.
Assim, a produção de litígios nascidos da prática filosófica é uma possibilidade e é possibilidade de introdução de um dissenso entendido como confronto das configurações instituídas pela polícia com algo inaceitável pela mesma: o sujeito político. Existe então a política, o confronto entre sujeito(s) político(s) e a ordem policial.
Desta forma, pensamos identificar o cumprimento do ethos filosófico identificado por Foucault e inscrito na tradição kantiana de um pensamento crítico que toma a forma de uma ontologia da actualidade. Mediante a abertura de um campo de possibilidades, o diálogo filosófico, como trabalho crítico de problematização surge como atitude, como crítica permanente da nossa era. Por um lado, é análise histórica dos limites; por outro lado, nasce a experiência que possibilita a sua ultrapassagem: a “crítica prática de uma transgressão possível”.

Nuno Paulos Tavares
Porto - Portugal                       
*
Rancière, Jacques - Le Partage Du Sensible, Edição/reimpressão: 2000, Editor: FABRIQUE, Coleção: Beaux Livres Lux
Rancière, Jacques - A partilha do sensível - Estética e política, Tradução de Mônica Costa Netto, Coedição: Editora 34/EXO experimental org., 2005 - 1ª edição; 2009 - 2ª edição (Acordo Ortográfico)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

HORAS DE FILOSOFIA em São João da Madeira

Uma colaboração Ponto Zero e Enteléquia - Filosofia Prática®

O que acontece nestes encontros? Siga o LINK.
Rua do Dourado, nº 218, 3700-107 São João Da Madeira, Aveiro 
23 de Agosto - 5ª Feira

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Enigmas da Existência - um livro para quem questiona

Enigmas da Existência: Uma Visita Guiada à Metafísica, de Earl Conee e Theodore Sider
Tradução de Vítor Guerreiro; Revisão científica de Desidério Murcho; Lisboa: Bizâncio, Março de 2010, 272 pp
Uma introdução à Metafísica, acessível, competente e apaixonante, escrita por dois filósofos de primeira linha.  The Times
As questões da metafísica são das mais profundas e enigmáticas. O que é o tempo? Serei realmente livre ao agir? O que faz de mim a mesma pessoa que era em criança? Porque há algo em vez de nada? Será que sou realmente livre, ou tudo está determinado desde antes do meu nascimento?
Se alguma vez deu consigo a fazer algumas destas perguntas, este livro é para si. Tratando ainda da existência de Deus e da constituição última da realidade, este livro é um guia para quem gosta de raciocinar cuidadosamente sobre estes e outros temas da metafísica — incluindo o problema de saber o que é afinal a própria Metafísica.
Enigmas da Existência torna a metafísica genuinamente acessível e até divertida. O seu estilo vívido e informal dá fulgor aos enigmas e mostra como pode ser estimulante pensar sobre eles. Não se exige qualquer formação filosófica prévia para desfrutar deste livro: qualquer pessoa que queira pensar sobre as questões mais profundas da vida considerará Enigmas da Existência um livro provocador e aprazível.

Fonte: http://criticanarede.com/enigmas.html

domingo, 5 de agosto de 2012

SÓCRATES: quem? Foi SÓCRATES um bom professor?

Excerto de um debate contando com Oscar Brenifier, Walter Kohan e Mauricio Langón.

 
O debate teve lugar durante o II Encuentro Internacional de Práctica Filosófica no Perú,organizado pelo Instituto de Investigaciones del Pensamiento Peruano e Latinoamericano (IIPPLA) da Facultad de Letras e Ciências Humanas de la Universidad Nacional Mayor de San Marcos y la Sociedad Peruana de Consejería Filosófica y Práctica Filosófica.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A tarefa do FILÓSOFO

«Nietzsche determinó la tarea de la Filosofía, cuando escribió: "Los filósofos ya no deben darse por satisfechos con aceptar los conceptos que se les dan, para limitarse a limpiarlos y darles lustre, sino que tienen que empezar por fabricarlos, crearlos, plantearlos y convencer a los hombres de que recurran a ellos. Hasta ahora, en resumidas cuentas, cada cual confiaba en sus conceptos como en una dote milagrosa procedente de algún mundo igual de milagroso”1, pero hay que sustituir la confianza por la desconfianza, y de lo que más tiene que desconfiar el filósofo es de los conceptos mientras no los haya creado él mismo (Platón lo sabía perfectamente, aunque enseñara lo contrario...).Platón decía que había que contemplar las Ideas, pero tuvo antes que crear el concepto de Idea. ¿Qué valor tendría un filósofo del que se pudiera decir: no ha creado conceptos, no ha creado sus conceptos?»

1.Nietzsche, Póstumos 1884-1885, Oeuvres philosophiques, XI, Gallimard, págs. 215216 (sobre «el arte de la desconfianza»)

Gilles Deleuze y Félix Guattari, ¿Qué es la filosofía? - Traducción de Thomas Kauf
Título da edição original: Qu'est-ce que la philosophie?, Les Editions de Minuit París, 1991

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Realidade(s) e Ficções

Ilustração de um recorrente problema filosófico frequentemente expresso da seguinte forma:

                       - Afinal não era quem eu pensava!


O que significa conhecer alguém?  

É possível conhecer alguém? 

Quando e como podemos estar seguros do nosso conhecimento dos outros?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

"Ce n'est qu'un début" - documentário sobre a FILOSOFIA e as CRIANÇAS de Jean-Pierre Pozzi e Pierre Barougier

Um grupo de crianças entre os 3 e os 5 anos reunido à volta de uma vela (símbolo do pacto de compromisso com a investigação) debruça-se sobre as grandes questões da vida: amor, morte, liberdade, amizade, diferença, medo, dor...

Eis o ponto de partida para este documentário francês que em 1 hora e 35 minutos reúne os melhores momentos de 180 horas de filmagem de aulas/sessões de introdução filosófica (temas e competências).

 Veja o TRAILER (legendado em Castelhano)

Filosofia para Crianças: é apenas um começo. Mas que começo!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

À Descoberta de Nada - o início

Depois da Descoberta dos Limites, hoje começa a semana À Descoberta de Nada no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães.
A sessão iniciou-se espontaneamente quando o Luís, ao tomar conhecimento do tema, disse que o nada era branco. Soltou-se a discussão, surgindo duas posições claras: a brancura e a transparência do nada. Depois de algum tempo dedicado a justificar estas opções pictóricas, a Guadalupe anunciou uma descoberta (imediata e surpreendente, surge a piada: O quê? O Bosão de Higgs?) abrindo uma terceira possibilidade: O nada não pode ter cor porque se tal fosse já seria alguma coisa! Após um silêncio pensativo, os colegas, reconhecendo a consistência da conclusão, concordaram com a Guadalupe e em seus olhos era já visível a benigna confusão conceptual instalada por esta experiência de pensar o nada.

Talvez a via negativa seja um caminho. O que não é o nada? O diálogo fluiu com mais dificuldade, a necessária exigida pela radicalidade do discutido. O Ernst deu um contributo valioso para a exploração do conceito: O oposto de nada é tudo. (Que é preto, ironiza um dos petizes!)

Discutido, exemplificado, desenhado (Nuno, isto é muito complicado de explicar; posso desenhar?) e problematizado o tudo, o caminho estava aberto para a Descoberta do Nada.
Dois a dois, dois minutos, uma questão sobre o nada – eis a tarefa!

Já temos as questões (7) de que é a feita a curiosidade. 
O nada é bom ou mau? – eis a escolha do grupo para iniciar a investigação!

A fome e o cansaço interromperam a sessão aos 70 minutos. 

T.P.C. – Dinamizar o jantar de família com a questão: Pais, o que é o nada?

(Continua …)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

FILÓSOFOS COM PALMO E MEIO

Reportagem do EURONEWS sobre FILOSOFIA PARA CRIANÇAS

"Estimular a capacidade de raciocínio nos jovens pode melhorar os resultados da aprendizagem e uma maneira de o fazer é ensinar filosofia. Nesta edição de Learning World, mostramos-lhe como se tenta desenvolver o pensamento crítico desde o primeiro dia em algumas salas de aula, nos Estados Unidos e na Noruega."   (Fonte: euronews)                                           

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eis chegado mais um PROGRAMA À DESCOBERTA de Verão

Prosseguindo a colaboração com o Centro Cultural Vila Flor (CCVF Guimarães) iniciada em 2009,

Enteléquia-Filosofia Prática®  organiza sessões de FILOSOFIA PARA CRIANÇAS 

entre os dias 2 e 23 de Julho.

Neste Verão vamos À DESCOBERTA DOS LIMITES e À DESCOBERTA DE NADA.

Conheça as nossas actividades em anteriores edições do Programa: http://www.entelequiafilosofiapratica.blogspot.pt/search/label/Programa%20%C3%80%20Descoberta

domingo, 24 de junho de 2012

A Ilha Desconhecida_pelos alunos da Escola da Ponte

Lura - Jornal de Artes e Educação do Centro Cultural Vila Flor - Guimarães
(edição de Abril a Junho de 2012 - Número 21)

Artigo escrito pelos participantes do 3º Ciclo do Ensino Básico

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Toward Philosophy of the Practice of Philosophy

"The vital necessity of the Practice of Philosophy stems from the severe disorientation which characterizes our contemporary ways of living with contemporary developments in nature, politics, society, technology.The disorientation shows itself in four major ways:

                - the decrease of awareness of oneself as a subject
                - the loss of intellectual and spiritual energy
                - the renunciation of autonomy in the face of the sciences
                - fundamentalism, beside nihilism and relativism."

Toward Philosophy of the Practice of Philosophy. An invitation to philosophical dialogue among practitioners of philosophy about the nature of their work. by Thomas Gutknecht (Translation: Petra von Morstein)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PENSO, LOGO VOO! - o Filme

PENSO, LOGO VOO! cumpre o terceiro ano de Filosofia para Crianças no Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres.
Fortalecendo o laço família-escola, desta vez os Pais e Encarregados de Educação foram convidados a assistir aos melhores momentos das sessões, bem como a experimentá-los!
O acaso, na sua infinda proficiência, trouxe até nós também um grupo de alunos do 10º ano, o que perfez uma bonita comunidade de investigação formada por quatro gerações diferentes!
Um auditório tão especial quão dedicado!

«- Pode um donut andar?
«-Sim, mas com alguém, pois não é animado.
- Mas há muitas coisas inanimadas que andam...»

«- Pode um banco reflectir?
- Claro! As pessoas que trabalham no banco, enquanto empresa, podem reflectir. Elas são o banco.
- Um banco pode, sendo objecto, proporcionar reflexão...
- Mas quem reflecte é o banco?
- Hummm... Não.
- Claro que pode! Pode refectir a luz!»

« - Pode um camelo sonhar? (- Desde já clarifico que, quando digo "camelo" quero mesmo dizer "camelo". Sim, o animal com duas bossas e que atravessa desertos.)» 

A necessidade da comunidade de investigação esclarecer e definir sobre o que se debruça tornou-se consciente neste breve exercício demonstrativo.

«- E "sonhar", o que quer dizer com "sonhar"?»

O Martim gostou de se ver no filme que encerrou este encontro!

Agradeço a toda a excelente equipa que torna possível tais voos e dou os parabéns aos viajantes principais  - os alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira!
A facilitadora, Laurinda Silva

quarta-feira, 30 de maio de 2012

FILOSOFIA para PAIS e FILHOS

Sábados em Família na Biblioteca Municipal de FARO

 

Sábado - 9 de Junho - 16:00 

 

- Crianças dos 6 aos 8 anos acompanhadas por um adulto.

Inscrição prévia: 3 euros

Conheça a nossa prática filosófica com crianças
A primeira experiência com este modelo de juntar pais e filhos foi numa Oficina de Filosofia para Crianças, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Filosofia, no Centro Lúdico de Oliveira de Azeméis - 18 e 20 de Novembro de 2010.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Se eu fosse invisível...

«... usava os sapatos da minha mãe.»
«... fugia de casa e ia para Faro passear.»
«... ia ao circo sem pagar bilhete!»
«... fugia para o Brasil. Eu já estive lá e gostava de voltar.»
«... lia os livros todos da biblioteca! (A Inês até ia ficar assustada porque só via o livro no ar!)»
«... ia passear para Espanha!»
«... matava o diabo. Porque ele faz coisas más!»
A sessão varia a cadência sem abrandar o ritmo.
- Então e matar, não é mau? Há pouco ficaram muito tristes por Giges ter morto o Rei, usando o seu anel mágico...
- Mas o diabo é mau...
- E se o Rei fosse mau?
- Ah!, então já não dizíamos "coitado do Rei"...
O compasso normal volta, depois de nos apercebermos que não sabemos muitas coisas sobre o diabo: está na nossa imaginação? Existe mesmo? Onde mora? Na Terra? Debaixo da terra? Num buraco na terra... (Bem, uma coisa sabemos: Deus mora no céu!)
«... usava a roupa que me apetecesse.»
«... assustava o meu mano.»
«... comia os bolos todos que desejasse.»
«... ia de férias para Búzios!»
«... fazia coisas más.» - uhuuuu - os apupos de quem ouve fazem o Leandro reagir - «Sim!, quando ninguém nos vê fazemos coisas más. Se nos virem fazemos coisas boas!»
É o que o mito platónico em A República (O Anel de Giges)  proporciona, ainda hoje, aos alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira.


Obrigada a todos por estas sessões!

Espinosa, o universo-Deus e uma pergunta triste - artigo

Por Nuno Paulos Tavares 
                                                  “Não rir nem chorar, mas compreender.”     Espinosa

Descartes, o racionalista, propôs três tipos de substância: mente, matéria e Deus. Espinosa, o racionalista, argumenta que apenas existe um tipo: Deus. Para Espinosa, Deus não é uma força, pessoa ou princípio que coloca o universo de matéria e mente em existência. Deus é o todo da existência na sua vasta, misteriosa e interconectada totalidade.
Tendo a Geometria como modelo de raciocínio, Espinosa procura fundamentar este panteísmo e todas as suas noções a partir de primeiros princípios. Por exemplo: Deus, sendo perfeito, não pode ser menos do que o universo como um todo. Mente e matéria são, assim, aspectos do universo. Não possuem existência independente. Podemos vê-las como separadas, podemos questionar sobre as suas conexões mas tais questões ligam-se à inevitável ignorância, falibilidade e percepção limitada do humano e não à natureza inerente do universo. Desta forma, de uma estocada, Espinosa afasta a insolúvel questão sobre como corpos e mentes interagem e o papel de um Deus transcendente. Não existe interacção uma vez que não existe separação. Deus é imanente; o universo não pode existir separadamente de Deus pois é Deus.
Para Espinosa, o universo-Deus é uma totalidade e qualquer tipo de separação ou conceptualização é produto de mentes pequenas apreendendo apenas pequenas partes de cada vez. Dividimos o universo em partes, átomos, moléculas, cadeiras, mesas e depois fazemos perguntas sobre como essas partes se interrelacionam. O que esquecemos é que existem partes do universo apenas porque a nossa mente o despedaçou. O universo, qual vasta pintura sem limites, é demasiado para compreendermos, por isso, transformamo-lo num puzzle de biliões de peças, cada peça sendo pequena e simples o suficiente para a nossa mente perceber. E depois perguntamos: Quais as relações entre as peças? Como podemos juntar todas as peças do puzzle?
Na verdade, as peças não se relacionam: não encaixam porque na realidade não existem. Conexões são o que fazemos com a mente e não realidades a serem descobertas no mundo.
O universo pode ser apreendido como uma totalidade mas unicamente um poder infinito pode apreender uma infinita realidade. Tal é Deus, o universo como um todo.
Desde imemoriais tempos e remotas paragens, místicos sempre afirmaram entrever o universo como totalidade interligada. Esta visão e forma de ser foram apresentadas como fonte de cura, força, inspiração e conhecimento. Espinosa não afirma a unidade da existência como resultado de qualquer experiência mística mas a partir da dedução e análise matemática. Tenta mostrar que o que afirma é verdadeiro exactamente do mesmo modo que Euclides deduz regras de geometria a partir de axiomas básicos, com proposições, postulados, provas, definições, lemas e corolários, dispostos sistematicamente, um procedendo logicamente do outro.
Espinosa acreditava que a unidade da existência tinha um valor prático para as pessoas nas suas vidas quotidianas pois a felicidade e a miséria são em larga medida determinadas pela estreiteza da visão que lançamos sobre tudo. A busca desta visão abrangente, análoga à de Deus em sua ambição, abertura da verdadeira comunhão cósmica, tem o poder de tudo pôr em perspectiva e fomentar um adequado sentido de admiração, reverência, humildade, talvez puro delírio, face ao vasto mistério da existência.
Esta visão pode (?) ser bastante para alentar a alma e funcionar como meio de encontrar tranquilidade interior mesmo nas piores circunstâncias. É inegável que a colocação em perspectiva mais abrangente das preocupações individuais tem sido e continuará a ser uma forma de lidar com situações indesejáveis, circunstâncias dolorosas e momentos avassaladores. Os Estóicos fizeram-no, via autodisciplina e controlo dos pensamentos e predisposições autodestrutivas. Segundo Espinosa, a via primeira é um processo de alargamento do nosso entendimento sobre a nossa comunhão com a existência: um passo de aproximação à experiência divina.
Subsumidos numa perspectiva secular, atomizada e individualista da existência, somos impelidos pela insegurança e as nossas vidas uma luta constante para fazer mais connosco e juntar coisas à nossa volta. Ameaças espreitam de todo o lugar. O medo da perda aumenta à medida que mais ganhamos. Tempo, circunstância e outras pessoas são inimigos ou potenciais rivais. Persistimos em tentar acompanhá-los, batê-los, controlá-los, dominá-los. Eventualmente, o tempo irá acabar para nós. Levará tudo que temos e acarinhamos. Somos sozinhos na impermanência das nossas alianças, ligações, triunfos e tragédias.
Por isso, Espinosa! A nossa interacção com a existência assemelha-se a uma dança: mais do que algo a ser atingido, a harmonia é algo percebido. O comportamento ético e cooperativo é inextrincável da nossa visão da subjacente unidade da existência. Agimos bem porque a acção boa é um dos meios para uma vida preenchida e una. Alimentamo-nos de acções boas, do mesmo modo que de pensamentos bons e sentimentos bons.
Alguém que pergunte “Porque tenho de comer?” é, sem dúvida, iludido e ignorante. Onde está o seu insight e apetite? Da mesma forma, uma pessoa que questione “Porque tenho de agir bem?” é tristemente inconsciente das forças unificadoras da existência.

Artigo publicado no Jornal Ecos, Maio 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A função moral (para alguns anagógica) da EDUCAÇÃO por EINSTEIN

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Filosofia e as sete artes liberais

O jardim das delícias
A Filosofia e as sete artes liberais em Herrad de Hohenburgo
Herrad of Hohenbourg, Hortus Deliciarum, R. GREEN, M. EVANS, CH. BISCHOFF, M. CURSCHMANN (eds.), 2 vol., (Studies of the Warburg Institute 36) The Warburg Institute, London 1979, vol. II, pr. 18.

MEIRINHOS, José – “O sistema das ciências num esquema do século XII no manuscrito 17 de Santa Cruz de Coimbra (Porto, BPM, Geral 21)”. Medievalista [Em linha]. Nº7, (Dezembro de 2009).Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/. ISSN 1646-740X.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS - A intuição do inefável

O desafio era enorme. A próxima hora seria dedicada à pesquisa filosófica. 
O que procurámos? Uma definição. Qual? Da BELEZA. 
Não a encontrámos mas todos já sabemos que isso não é o mais importante. 
A Filosofia não é uma aventura em linha recta. A Joana, de oito anos, deu um contributo que a todos intrigou e cuja discussão se tornou A SESSÃO.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ouvir Schubert lembra-me...




 
«A Minha avó a dançar ballet.»

«Máquinas e formas.»

«O sol a ir-se embora.»

«A minha família, as borboletas, os anjos e Deus.»

- Sessão de Filosofia para Crianças, 1º A da E.B. nº 2 de Quarteira -
PENSO, LOGO VOO!
O mais importante é manter o mais importante 
como mais importante.

O QUE É O MAIS IMPORTANTE ?

domingo, 22 de abril de 2012

But chief and regnant through the frame entire 

Is still that counsel wich we call the mind. 

                                                           Lucretius, On the Nature of Things

-- Aconselhamento Filosófico/Philosophical Counselling:

Follow the LINKs a) b)

sábado, 21 de abril de 2012

Da Filosofia - a essência da prática filosófica

Seja qual for a questão sobre a que tenhamos de deliberar, torna-se necessário conhecer aquilo sobre que vai deliberar-se, meu rapaz, pois de outro modo, forçosamente nos enganaremos. Ora, uma das coisas que escapa à maioria dos homens é a coisa na sua essência e, como julgam conhecê-la, jamais chegam a encontrar um ponto de acordo para iniciarem uma pesquisa qualquer e, à medida que avançam nessa pesquisa, colhem o devido castigo pois nem chegam a concordar com eles mesmos, nem com as outras pessoas. Por este motivo, façamos votos para que nem tu, nem eu, venhamos a incorrer no defeito que ora apontamos aos outras; mas, bem pelo contrário (...) procuremos uma definição de comum acordo, tentando tê-la sempre em mente (...).

Platão, Fedro, 237 c

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Jurgen Habermas - “Tres modelos de democracia. Sobre el concepto de una política deliberativa”

En este breve artículo, Jürgen Habermas expone la contraposición de Michelman de la comprensión liberal de la política y la comprensión republicana, que implican diferencias en sus conceptos respectivos de ciudadano o de derecho. Frente a ambos, esbozará, en el segundo punto de su intervención, un modelo “intermedio”, el de “política deliberativa”.
Leia o artigo aqui.

Fonte: http://efimeroescombrera.wordpress.com/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Alguns contributos para o questionamento da cultura cientifíco-tecnológica

Sugestões bibliográficas
  • Martin Heidegger: A Questão da Técnica
  • Ortega y Gasset: Meditação sobre a Técnica
  • Jacques Ellul: A Técnica ou o Desafio do Século
  • Edgar Morin: Cultura de Massas; Ciência com Consciência
  • Roger Garaudy: Alternativa: Modificar o Mundo e a Vida; Para um Diálogo de Civilizações
  • Herbert Marcuse: O Homem Unidimensional: Estudos acerca da Ideologia da Sociedade
  • Jurgen Habermas: Técnica e Ciência como "Ideologia"; Teoria e Práxis; Teoria do Agir Comunicacional

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Epicuro desfaz equívocos sobre o Epicurismo: prazer, vida boa e prudência

"Quando dizemos que o prazer é o fim, não queremos dizer o prazer do extravagante ou o que depende da satisfação física — como pensam algumas pessoas que não compreendem os nossos ensinamentos, discordam deles ou os interpretam malevolamente — mas por prazer queremos dizer o estado em que o corpo se libertou da dor e a mente da ansiedade. Nem beber e dançar continuamente, nem o amor sexual, nem a fruição de peixe ou seja o que for que a mesa luxuosa oferece gera a vida agradável; ao invés, esta é produzida pela razão que é sóbria, que examina o motivo de toda a escolha e rejeição, e que afasta todas aquelas opiniões através das quais a mente fica dominada pelo maior tumulto.

De tudo isto o bem inicial e principal é a prudência. Por esta razão, a prudência é mais preciosa do que a própria filosofia. Todas as outras virtudes nascem dela. Ensina-nos que não é possível viver agradavelmente sem ao mesmo tempo viver prudentemente, nobremente e justamente, nem viver prudentemente, nobremente e justamente sem viver agradavelmente; pois as virtudes cresceram em união íntima com a vida agradável, e a vida agradável não pode ser separada das virtudes."

Carta a Meneceu ou Carta sobre a felicidade

Leia aqui: http://criticanarede.com/meneceu.html

terça-feira, 10 de abril de 2012

Programa À Descoberta - Centro Cultural Vila Flor - Guimarães

A última sessão da edição de Páscoa foi dedicada ao SILÊNCIO. A curiosidade foi ensurdecedora!

                            O QUE É O SILÊNCIO?


Uma pausa, calma pura, um pensamento, algo bom para a saúde, ausência de ruído, ruído ... eis algumas das hipóteses discutidas.



    O final ofereceu-nos uma inquietante questão:

  
Qual o som de uma estrela a cair?

Obrigado a todos participantes.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Platão: A Apologia de Sócrates - pdf

"(...) Ora, é possível que alguém perguntasse: — Sócrates, não poderias viver longe da pátria, calado e em paz? Eis justamente o que é mais difícil fazer e aceitar a alguns dentre vós: Se digo que seria desobedecer ao Deus e que, por essa razão, eu não poderia ficar tranquilo, não acreditaríeis em mim, supondo que tal afirmação é, de minha parte, uma fingida ingenuidade. Se, ao contrário, digo que o maior bem para um homem é justamente este, falar todos os dias sobre a virtude e os outros argumentos sobre os quais me ouvistes raciocinar, examinando a mim mesmo e aos outros e, que uma vida sem esse exame não é digna de ser vivida, ainda menos acreditaríeis ouvindo-me dizer tais coisas. Entretanto, é assim, como digo, ó cidadãos, mas aqui não é fácil ser persuasivo.(...)"
                                            
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"(...)Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de  existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. (...) Assim, se a morte é isso, eu por mim a considero um presente, porquanto, desse modo, todo o tempo se resume a uma única noite.
Se, ao contrário, a morte é como uma passagem deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram todos os mortos, qual o bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este?(...)"

terça-feira, 27 de março de 2012

Programa À Descoberta - Centro Cultural Vila Flor - Guimarães

               O mote para o À Descoberta desta Páscoa foram os Princípios!!!


e a Laura (6 anos) presenteou-nos com o princípio (de início, afirmou!) de duas vidas!

Obrigada a todos!

segunda-feira, 26 de março de 2012

QUAL A VIRTUDE MAIS IMPORTANTE ?

Obrigado a todos os participantes no Café Filosófico deste domingo, 
25 de Março, no Clube Literário do Porto.

Leia aqui sobre a sessão.
Foto: José Rui Moreira Correia

 Saiba mais:  Diálogos Públicos "Horas de Filosofia"




 






quarta-feira, 21 de março de 2012

Enteléquia e a Filosofia Prática: o objectivo, os pressupostos, as funções, os serviços.

A Filosofia enquanto prática afirma-se como um movimento de apologia do retorno à matriz socrática (essencial relação entre Filosofia, Indivíduo e Sociedade) e pretende enfrentar a crise de identidade da Filosofia, identificável pelo auto encerramento nas cátedras das universidades, pela construção de sistemas filosóficos totalizantes desligados da realidade da vida quotidiana e por uma linguagem decifrável apenas por iniciados.
A proposta consiste na devolução da Filosofia à cidade e ao cidadão. O seu objectivo é a aplicação em situação de conteúdos e competências filosóficas às diversas dimensões da vida humana. Com Mathew Lipman afirmamos que “O pensar é natural mas também pode ser entendido como uma habilidade passível de ser aperfeiçoada.”
A Filosofia Prática repousa sobre os seguintes pressupostos: a Filosofia é uma actividade dialógica; tem como modelo o diálogo socrático; a Filosofia é uma busca incondicional dentro de um horizonte de racionalidade fundada numa atitude socrática; é no confronto com o não-Eu e na saída do já pensado que a Filosofia cumpre a sua natureza; as ideias, instrumentos do pensamento, se não analisadas e criticadas transformam-se em obstáculos ao pensamento.
Defendemos que a Filosofia desempenha 3 funções básicas:
- Identificação dos pressupostos em que se baseia o pensamento;
- Problematização e análise crítica do pensamento;
- Conceptualização, enriquecendo, reforçando ou modificando os esquemas de relação com o real.

Acreditamos, inspirados na sentença de Marco Aurélio, que"A qualidade da nossa vida depende da qualidade dos nossos pensamentos."

Conheça os nossos serviços:
--Aconselhamento e Consultoria Filosófica
--Filosofia para Crianças
--Formação de Professores e Educadores                  
--Filosofia nas Organizações
--Workshops conceptuais e temáticos
--Diálogos Públicos "Horas de Filosofia"