quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Filosofia para Crianças: A Rã é Minha Amiga!

O que é ser amigo?
O que é preciso para ser amigo?

Ser amigo é:
Dar carinho;
Convidar para ir passear;
Levar a passear;
Dar abraços;
Gostar um do outro (mas não ser namorados);
Convidar para as festas;
Dar amor;
Convidar para jogar playstation;
Convidar para jogar futebol;

Perguntas,  respostas e… MAIS  PERGUNTAS!!


  • A música pode ser nossa amiga. Pode ser uma música alegre e ficamos também alegres, gostamos dela. Raul, 6 anos
  • Um livro é nosso amigo porque podemos imaginar! R., 6 anos
  • A TV não pode ser amiga porque os senhores que estão lá a falar não estão a falar para nós, estão a falar para toda a gente. Beatriz, 6 anos
  • Tenho em casa dois pássaros. A fêmea pôs ovos e anda sempre a tratar deles: é amiga! Afonso, 6 anos
  • Deus é amigo mas às vezes não. Quando nos portamos mal ele não é nosso amigo! João, 6 anos
  • Porque é que Jesus protegeu a Terra? Ficou lá e depois morreu…, Leandro, 6 anos
  • Como é que Deus morreu e está na igreja? L. , 6 anos
  • A minha mãe disse-me que Deus criou o homem a partir de barro, mas nós somos seres vivos… ? L. , 6 anos
Obrigada a todos por esta sessão!
 Laurinda Silva

3ª sessão de Filosofia para Crianças na EB nº 2 de Quarteira, 1ºano
PENSO, LOGO VOO!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O erro de Platão segundo Aristóteles por Álvaro Ribeiro

"Aristóteles estudou demoradamente a dialéctica socrática, de que descreveu o processo nos livros de Tópicos, distinguindo-a nitidamente dos dizeres sofísticos, aos quais dedicou também um livro especial. Quanto ao método platónico, que combina a mitologia órfica com a ciência pitagórica, critica-o Aristóteles com maior respeito, não só pela gratidão para com o mestre, mas também porque lhe reconhece o intento de investigação da verdade. A exigência socrática da definição perfeita realiza-se no conceito, dotado de extensão e de compreensão. 
O erro platónico verifica-se na transformação mitológica do conceito em ideia, conceito sem extensão, portanto sem plural, guardando uma singularidade misteriosa que só a poucos seria dado ver por processos mnésicos, gnósicos e teoréticos. A singularidade ou unicidade da ideia, separada do mundo sensível quando meramente inteligível, suscitava problemas que não poderiam ser resolvidos pelo uso oportuno da palavra participação."
                                                                 Álvaro Ribeiro
Fonte:http://liceu-aristotelico.blogspot.com/

A prática filosófica nas organizações - um workshop

A MOVICORTES organizou nos dias um e dois de Fevereiro um workshop destinado à prática filosófica orientado para os colaboradores das empresas associadas.
Ministradas por Cecília Reis Maia e Nuno Paulos Tavares, estas iniciativas visam o desenvolvimento de competências específicas da filosofia, capazes de proporcionar e aperfeiçoar a flexibilidade cognitiva, despertar o espírito crítico, a criatividade e a capacidade de abstracção e melhorar a precisão comunicativa.
A metodologia do workshop foi adaptada às necessidades e expectativas dos participantes, alicerçando-se no diálogo e na prática continuada do debate de ideias. Através de vários exercícios práticos, os participantes foram desafiados a: 
Investigar a estrutura lógica do pensamento e descobri-la como instrumento de análise, compreensão e organização do Real (Eu, o Outro, o Mundo); Descobrir o valor da escuta; Identificar pressupostos implícitos em produções orais (suas e dos outros); Discutir diferentes interpretações e a sua legitimidade; Elaborar e testar critérios decisionais; Identificar e produzir Mundividências; Experimentar a imaginação como momento de pensamento criativo.
A proposta definidora destes workshops é a fuga aos modos quotidianos do pensamento, PENSANDO O IMPENSÁVEL.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A matéria de que a filosofia se alimenta está em todo o lado.

DA FILOSOFIA
Ao contrário do que sucede em outras áreas, a filosofia não requer equipamento, instrumentos, laboratórios, ou trabalho de campo. O investimento inicial necessário em filosofia não podia ser mais reduzido. Habitamos um mundo estranho; somos, nós próprios, criaturas peculiares, e as nossas relações com esse mundo e com as outras pessoas são, amiúde, de uma perplexidade misteriosa. A matéria de que a filosofia se alimenta está em todo o lado.
                                                                                                    Alexander George

FILOSOFIA PARA JOVENS - Guimarães


JUNTA DE FREGUESIA E CENTRO SOCIAL DA POLVOREIRA – Fevereiro de 2012
O percurso desenhado pela sessão: 
Conhecimento é bom porque permite um futuro melhor. Saber mais coisas aumenta as nossas opções. Poder escolher é muito importante. Se souber mais ninguém me pode obrigar a fazer só uma coisa. Posso ser mais feliz se tiver liberdade de escolha. Mas isso não basta, também é preciso força de vontade...e sorte.

Obrigado a todos os participantes.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

KIT DE DETECÇÃO DE TANGAS - Vídeo

A detecção de tangas como tarefa da Ciência.
Num tempo em que o indivíduo é submergido em informação 
é fundamental filtrar a desinformação. 
 
Michael Shermer: Baloney Detection Kit
 
 The 10 Questions:
1. How reliable is the source of the claim?  2.Does the source make similar claims?  3. Have the claims been verified by somebody else?  4. Does this fit with the way the world works?  5. Has anyone tried to disprove the claim?  6. Where does the preponderance of evidence point?  7. Is the claimant playing by the rules of science?  8. Is the claimant providing positive evidence?  9. Does the new theory account for as many phenomena as the old theory?  10. Are personal beliefs driving the claim?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO ALGARVE

Escola Básica nº2 de Quarteira - Turmas: 1ºA e 1ºB

Facilitadora das sessões semanais (2011/2012): Laurinda Silva
Siga os links: Informações  Serviços 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O PARADOXO HUMANO: Criado via Natureza, Auto-criado via educação.

SOMOS ...
•   Joguetes na mão dos deuses? -- Mitologia Grega
•   Animais congenitamente pecaminosos? -- Teologia Agostiniana
•   Predadores vorazes e egoístas? -- Filosofia natural de Hobbes
•   Nobres selvagens corrompidos pela civilização? -- Misantropia a la Rousseau
•   Animais psicossexualmente doentes? -- Psicopatologia Freudiana
•   Pessoalmente responsáveis por tudo? -- Solipsismo de Sartre
•  Autómatos auto-reprodutivos geneticamente compelidos? -- Sociobiologia de Dawkins
•  Seres auto-determinados, soberanos e transcendentes? -- Idealismo de New England
•   

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Eu tenho uma pergunta! Porque é que o tempo muda ? - L., 6 anos

Que tempo?

O tempo que passa?

- O tempo que faz hoje?

Serão o mesmo?
...


Sessão nº 2 de Filosofia para Crianças com as turmas do 1º ano do 1º CEB da Escola nº 2 de Quarteira

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CONSULTA FILOSÓFICA: O ARANHIÇO DA DECISÃO

Recurso usado em consulta filosófica quando a questão, confusão ou problema que a origina traz consigo a necessidade de acção num horizonte temporal definido.
 
A sua utilização é precedida (em consulta anterior) pela identificação e formulação do questão e respectiva problematização. 
O objectivo é a ancoragem lógica e existencial da questão, reforçada pela resistência a testes de coerência, razoabilidade (crítica interna) e adequação pessoal (crítica externa). 

Mais informações:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

THINKING : a matter of the mind

Thinking involves making sense of what we observe, figuring out the consequences of what we do and weighing our opinions (and those of others) to see which ones are reasonable and well grounded. These are universal human tasks. 

How we think about things should not be confused with how we feel about them or our attitudes or appraisals of them. Thinking is a matter of the mind, not of the emotions or will.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida."                                              John Dewey

sábado, 21 de janeiro de 2012

NIETZSCHE - contributos para a consulta filosófica

"Quem atinge o seu ideal, ultrapassa-o precisamente por isso."
Para Além do Bem e do Mal
  • Nietzsche desafia as fantasias da possibilidade ou necessidade de a vida ser justa e gratificante. 
  • A autêntica humanidade exige a descoberta da coragem para enfrentar a realidade e o abandono das aconchegantes narrativas do conforto e consolação.
  • A coragem, carácter ou força para empreender uma autêntica viagem de auto-expressão não estão presentes na maioria de nós.
  • Não existe EU a ser descoberto. O EU (self) deve ser transcendido, abandonado no caminho.
  • Assim, a nossa tarefa não é encontrarmo-nos mas ultrapassarmo-nos. Ou, em linguagem StrarTrekiana : “to boldly go where no man has been before.”
  • Esta ultrapassagem não é a de Schopenhauer e do Budismo, a via da renúncia, do desprendimento. Pelo contrário, Zaratustra insta-nos à auto-afirmação enérgica e intransigente. Arrisca! Faz! Move-te para além do que pensas que sabes que és!
  • Informações sobre consultas de Aconselhamento Filosófico
  • Entrada sobre Nietzsche na Stanford Encyclopedia of Philosophy


            quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

            Uma (boa) sugestão: Enteléquia - Filosofia Prática®



            DICIOPÉDIA 2010
            EDUCARE - O PORTAL DA EDUCAÇÃO
            O SÍTIO DOS MIÚDOS

            O que eu mais gosto é de ser Rei!

            Apenas a sessão de apresentações e já o entusiasmo!
            Com o objetivo de se apresentar perante um auditório, de aplicar as regras da sessão e de praticar a escuta, a tarefa consistia em indicar (e por vezes eleger) o que mais se gosta e o que menos se gosta, com pelo menos uma razão para tal.

            «- O que eu mais gosto é de ser Rei!
            - Uau!… E és Rei de quê?
            - Sou Rei dos reis!
            - E o que há de bom em ser Rei dos reis?
            - É que eles fazem tudo aquilo que eu mando!»  E., 6 anos
            « - O que eu mais gosto é de flores!
            - Tens alguma preferida?
            - Sim, rosas.
            - Mas as rosas têm muitos espinhos… Porque é que gostas de rosas?
            - Por causa das pétalas: são vermelhas e… e… macias!!» C., 6 anos
            « - O que eu mais gosto é de estar com o meu pai. É muito divertido!»  M., 6 anos
            « - O que eu menos gosto é de ficar fechado em casa.
            - Porquê?
            - Porque a minha mãe dorme de dia e eu tenho que ficar fechado em casa. E a minha avó anda sempre lá, de um lado para o outro, e eu é que tenho de tomar conta dela. Porque ela é velhinha!» J., 6 anos
            E acabamos à boa maneira filosófica: «Eu tenho uma pergunta!...» que ficará para a próxima resenha…
            Laurinda Silva,
            Sessão 1, Filosofia para Crianças, 1º ano do 1º CEB, AESLA
            11 e 18 de Janeiro de 2012

            segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

            Aristóteles - contributos para a consulta filosófica

            "A felicidade é uma actividade."
            • Para Aristóteles, tal como para Platão, o indivíduo saudável habita uma cidade saudável. Os dois termos implicam-se e alicerçam-se. Como seres sociais aprendemos mais com e em relação com os outros do que pela introspecção e isolamento.
            • O conhecimento dos universais é possível apenas lidando activamente com particulares. Assim, grande parte do conhecimento exige "fazer". Esta é a forma de garantir uma base empírica real e experienciada a partir da qual podemos extrair conclusões, realizar generalizações e inferir princípios.
            • A vida é um exercício de equilíbrio: um compromisso entre apetites internos em conflito e princípios superiores, preocupações auto-centradas e responsabilidades partilhadas, ideais morais e limitações de carne e osso.
            • A escolha é possível e significativa apenas para os que conseguem exercer controlo sobre as suas paixões. Mas o auto-controlo não extingue as paixões, contém-nas.
            • Ser feliz é ser virtuoso, comprometido, activo.   

              sábado, 14 de janeiro de 2012

              Estoicismo - contributos para a consulta filosófica

              Pontos-chave:
              -A virtude consiste em viver de acordo com a natureza. 
              -O ser humano é perturbado mais pelas suas reacções e expectativas do que pelos próprios acontecimentos.
              -Dominar o desejo, pensar com precisão, realizar deveres são essenciais para a maturidade e bem estar pessoal.
              -É falacioso imaginar, e pouco inteligente esperar, que o mundo se adeque às nossos preferências.

              Como construir sentido para a existência? A proposta estóica  é evitar tornar-mo-nos servos da busca do prazer e usar a virtude como guia. A vida virtuosa é uma vivida de acordo com a natureza. Para o Estoicismo, tal significa viver de acordo com a razão.
              O adequado controlo sobre os pensamentos, sentimentos e acções, o conhecimento do respeito pelo outro bem como o auto-respeito, concedem-nos uma forte noção de identidade e direcção que não pode ser manipulada ou roubada mesmo nas mais injustas e opressivas situações.
                
              Rígidos e exigentes, ao longo dos séculos os princípios estóicos propiciaram um meio de auto-prevenção contra a desintegração face a circunstâncias que ameaçam esmagar o espírito humano.
              O Estoicismo é mais uma estratégia para a sobrevivência do que para a celebração da vida e o perigo da proposta estóica é a produção de uma mentalidade sobrevivalista. O estóico procura a paz, o conhecimento e o auto-controlo mas se tal busca for levada demasiado longe redunda numa opção pela negação da vida.

              Epicteto - "A felicidade não consiste em adquirir nem em gozar, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre."
              Marco Aurélio - "O homem comum é exigente com os outros; o homem superior é exigente consigo mesmo."

              Entradas sobre Estoicismo na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

              quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

              Filosofia para Crianças e Jovens, José Saramago e a Ilha Desconhecida

              “A ILHA DESCONHECIDA FEZ-SE ENFIM AO MAR, À PROCURA DE SI MESMA.”

              Em mais uma colaboração com o empreendedor Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), a Filosofia associa-se ao teatro de objectos, à dramaturgia e oficinas de escrita para proporcionar a alunos do 3ºciclo uma experiência estético-pedagógica que tem como ponto de partida O Conto da Ilha Desconhecida de José Saramago.
               
              Enteléquia-Filosofia Prática® projectou uma OFICINA PORTÁTIL DE FILOSOFIA de exploração das potencialidades filosóficas da obra.

               - Excertos do conto:
              “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”
              “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és.”
              “Todo o homem é uma ilha.”
              “Se tenho a linguagem (de marinheiro) é como se o fosse.”

              A OFICINA PORTÁTIL DE FILOSOFIA visitará as seguintes instituições:
              - Colégio Nossa Senhora da Conceição (12 Janeiro)
              - Centro Social de Polvoreira (4 Fevereiro)
              - Colégio de Vizela (13 Fevereiro)
              - Escola da Torre (data a definir)

              Filosofia nas Organizações: competências filosóficas - do Instrumental ao Substancial

              A ideia de que um bom profissional não se forma apenas com cursos técnicos não é de si novidade no universo empresarial. Não será necessário pensar muito para chegar à conclusão de que alguém com mais conhecimentos humanísticos e de cultura geral pode ter mais êxito no mundo dos negócios. A novidade é que as organizações aclamam a necessidade e utilidade deste modelo de formação para os seus colaboradores.
              Com os nossos workshops de Prática Filosófica visamos a apropriação e desenvolvimento de competências específicas da Filosofia, capazes de proporcionar e aperfeiçoar a flexibilidade cognitiva, despertar o espírito crítico, a criatividade e a capacidade de abstracção.
              A metodologia proposta alicerça-se no diálogo socrático (a Maiêutica como técnica) e na prática continuada do debate de ideias.
              Os diferentes exercícios práticos visam o desenvolvimento de diferentes competências filosóficas. Assim, e procurando que os participantes escapem aos modos quotidianos do pensamento, estes serão desafiados a: descobrir o valor da escuta; identificar e produzir Mundividências; discutir diferentes interpretações e a sua legitimidade; elaborar critérios decisionais; identificar pressupostos implícitos em produções orais (suas e dos outros); inferir conclusões; experimentar a imaginação como momento de pensamento criativo; identificar a estrutura lógica do pensamento e descobri-la como instrumento de análise e compreensão e organização do Real (Eu, o Outro, o Mundo).
              O objectivo geral da Filosofia nas Organizações é estabelecer a ligação entre o Instrumental e o Substancial. Por Instrumental entende-se a forma habitual de pensar ao nível da Gestão de Empresas. A Filosofia convida a pensar o Substancial, ou seja, o que é importante, imprescindível para o Grupo ou Empresa.
              Naturalmente que o pensamento Substancial está presente nas modernas práticas de gestão, mas é actualizado de forma auto-contida ou fechada na própria realidade da empresa (auto-referencial). A mais-valia da intervenção filosófica reside no facto de este pensamento ser externamente provocado e, como tal, aberto a novas possibilidades, ao (ainda) não-pensado.
              Este questionamento externo induz a fuga aos modos habituais de pensamento e coloca em causa de forma metodológica o próprio questionamento interno, ou seja, apresenta-se como um meta-questionamento que articula o concreto e o abstracto na busca da melhor relação entre objectivos, práticas e valores.

              terça-feira, 10 de janeiro de 2012

              ÉTICA E RAZÃO: RAZÃO COMUNICACIONAL

               A pretensão de universalidade centrada na intersubjectividade da comunicação.

              "(É na) diferença importante entre um consenso factual e um consenso racional, entre um acordo contingente de interesses que se conjugam, ou mesmo que se conciliam (...) e um acordo fundado na adesão a argumentos que são considerados como os melhores (...), que a discussão se junta à razão prática e que,então, podemos falar de razão comunicacional.
              Enuncia-se (o princípio da discussão) do seguinte modo: Só podem pretender à validade as normas que possam receber a concordância de todos os interessados, enquanto que participantes numa discussão prática."

              J-L. Ferry, As Virtudes da Discussão, in E.Morin e I.Prigogine, A Sociedade em Busca de Valores, Instituto Piaget, Lisboa, p.215

              quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

              Homem: universal, ilimitado e livre - a unidade do humano como princípio supremo da Filosofia

              O homem de nenhum modo se distingue do animal só pelo pensamento. Pelo contrário, o seu ser total é que o distingue do animal. Sem dúvida, aquele que não pensa não é homem algum; não é porque o pensamento seja a causa do ser humano, mas unicamente porque é uma consequência e uma prioridade necessária do mesmo ser humano.
              Por conseguinte, não precisamos aqui de sair do domínio da sensibilidade para reconhecer no homem um ser superior aos animais. O homem não é um ser particular como o animal, mas um ser universal, por conseguinte, não é um ser limitado e cativo, mas um ser ilimitado e livre; com efeito, a universalidade, a ilimitação e a liberdade são inseparáveis. E esta liberdade não reside numa faculdade particular, na vontade, da mesma maneira que esta universalidade não se situa numa disposição particular da faculdade de pensar, na razão – esta liberdade, esta universalidade estende-se ao seu ser total. (…)
              A arte, a religião, a filosofia ou a ciência são apenas as manifestações ou revelações do ser humano verdadeiro. Homem perfeito e verdadeiro é apenas quem possui o sentido estético ou artístico, religioso ou moral, filosófico ou científico - o homem em geral somente é aquele que nada de essencialmente humano exclui de si mesmo. Homo sum, humani nihil a me alienum puto – esta frase, tomada na sua significação mais universal e mais elevada, é a divisa do novo filósofo. 
              (…) O princípio supremo e último da filosofia é, pois, a unidade do homem com o homem. Todas as relações fundamentais – os princípios das diferentes ciências- são unicamente espécies e modos diferentes desta unidade.

              Ludwig Feuerbach, Princípios da Filosofia do Futuro e Outros Escritos, Edições 70, Lisboa, pp.96-99.

              A felicidade como posse e exercício das faculdades humanas e compreensão do mundo

              O ódio à razão, tão frequente nos nossos dias, é devido em grande parte ao facto dos movimentos da razão não serem concebidos duma forma suficientemente fundamental. O homem dividido contra si mesmo procura estímulos e distracções; ama as paixões fortes, não por razões profundas, mas porque momentaneamente lhe permitem evadir-se de si próprio e afastam dele a dolorosa necessidade de pensar.
              Toda a paixão é para ele uma forma de intoxicação, e desde que não pode conceber uma felicidade fundamental, a intoxicação parece-lhe o único alívio para o seu sofrimento. Isso, no entanto, é o sintoma duma doença de raízes profundas. Quando não há tal doença, a felicidade provém da plena posse das suas faculdades. É nos momentos em que o espírito está mais activo, em que menos coisas são esquecidas que se sentem alegrias mais intensas. Esta é, sem dúvida, uma das melhores pedras de toque da felicidade. A felicidade que exige intoxicação de não importa que espécie, é falsa e não dá qualquer satisfação. A felicidade que satisfaz verdadeiramente é acompanhada pelo completo exercício das nossas faculdades e pela compreensão plena do mundo em que vivemos.

              Bertrand Russell, A Conquista da Felicidade

              domingo, 1 de janeiro de 2012

              A especial vocação da Filosofia

              “To create a dialogue between reason and the heart, by raising heart-breaking questions, seems to me to be one way to describe the special vocation of philosophy.”    Jerome Miller, In The Throe of Wonder, p. 168

              quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

              The Age of Reason by Thomas Paine (1737–1809)

              Herdeiro da tradição de Hume, Espinosa, Voltaire e do deísmo inglês do início do século XVIII, Paine apresenta a sua DEFESA DO DEÍSMO numa linguagem simples, acessível e irreverente que retirou o "deism out of the hands of the aristocracy and intellectuals and [brought] it to the people."

              Excerts from THE AGE OF REASON (Follow the LINK):

              "I do not believe in the creed professed by the Jewish Church, by the Roman Church, by the Greek Church, by the Turkish Church, by the Protestant Church, nor by any church that I know of. My own mind is my own church. All national institutions of churches, whether Jewish, Christian or Turkish, appear to me no other than human inventions, set up to terrify and enslave mankind, and monopolize power and profit."

              "I believe in one God, and no more; and I hope for happiness beyond this life. I believe in the equality of man; and I believe that religious duties consist in doing justice, loving mercy, and endeavoring to make our fellow-creatures happy."

              quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

              PHILOSOPHY: WHAT FOR?

              "Philosophy is thinking in slow motion. It breaks down, describes and assesses moves we ordinarily make at great speed - to do with our natural motivations and beliefs. It then becomes evident that alternatives are possible."John Campbell, Philosophers

               "The object of philosophy is the logical clarification of thoughts. Philosophy is not a theory but an activity. A philosophical work consists essentially of elucidations. The result of philosophy is not a number of ‘philosophical propositions’, but to make propositions clear. Philosophy should make clear and delimit sharply the thoughts which otherwise are, as it were, opaque and blurred." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

              "What is the aim of philosophy? To be clear-headed rather than confused;lucid rather than obscure; rational rather than otherwise; and to be neither more, nor less, sure of things than is justifiable by argument or evidence." G.J. Warnock, Philosophers

              "Philosophy, though unable to tell us with certainty what is the true answer to the doubts it raises, is able to suggest many possibilities which enlarge our thoughts and free them from the tyranny of custom. Thus, while diminishing our feeling of certainty as to what things are, it greatly increases our knowledge as to what they may be; it removes the somewhat arrogant dogmatism of those who have never travelled into the region of liberating doubt, and it keeps alive our sense of wonder by showing familiar things in an unfamiliar aspect." Bertrand Russell, The Problems of Philosophy

              terça-feira, 20 de dezembro de 2011

              O Primeiro Alcibíades - Platão

              De todos os textos platónicos de autenticidade discutível, o presente encerra o maior mérito dialéctico e filosófico. Difere de outras composições platónicas: o objectivo é mais directamente ético e exortativo

              Tema: Doutrina socrática do auto-conhecimento.
              Faça o download AQUI.(tradução inglesa)

              "- Alcibiades : Perhaps, Socrates, you are not aware that I was just going to ask you the very same question: What do you want? And what is your motive in annoying me, and always, wherever I am, making a point of coming?  I do really wonder what you mean, and should greatly like to know.
              - Socrates : Then if, as you say, you desire to know, I suppose that you will be willing to hear, and I may consider myself to be speaking to an auditor who will remain, and will not run away?"

              segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

              FELICIDADE - A PROPOSTA EPICURISTA (Vídeo)

              Episódio da série televisiva do Channel 4  Philosophy: A Guide To Happiness.
              Alain de Botton, autor de The Consolations of Philosophy, cuja estrutura, abordagem temática e simplicidade inspiram a série, apresenta
               
               

              quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

              Autenticidade e inautenticidade existencial

              A dificuldade de responder à exigência de "ser eu próprio" e sua relevância no projecto vital de cada homem fazem da busca da existência autêntica um dos temas abordados com mais frequência nas consultas de Aconselhamento Filosófico.

              “A noção de inautenticidade tem grande relevo nos filósofos da existência. Já o advertimos. Heidegger considera uma inevitável estrutura humana a ‘queda na inautenticidade’: é a situação do homem que vive exclusivamente do ‘se’ (diz-se, faz-se, etc.), actuando sem assumir pessoal e originalmente o seu projecto vital, mas deixando-se simplesmente arrastar pelos condicionalismos vitais e sociais. É óbvio que essa existência perde assim grande parte do seu valor. E é também então quase óbvio formular que deve tratar de reencontrar a sua autenticidade.
              Provavelmente, o conceito provém da moderna Psicologia profunda. (…) Lersh define autenticidade e inautenticidade como os dois modos (positivo ou negativo) de integração ‘vertical’ do fundo endotímico com o eu superior. Consequentemente, a vontade pode ser dita autêntica, quando a sua decisão ‘chega ao fundo’, quer dizer, arrebata consigo o fundo endotímico, integrando-o. O mesmo poderemos dizer do pensamento, enquanto ‘convicção’. São causas de inautenticidade as pressões da convivência social; assim como uma tendência à notoriedade, especialmente vigente em certos indivíduos. Em geral, a conduta psicologicamente inautêntica acusa pobreza de fundo. A solução está na busca da integração, que deverá começar pela aceitação da própria realidade tal como ela é.
              (…) Radicalizando estas reflexões até torná-las ‘existenciais’, encontramos como definição de autenticidade a fidelidade ao próprio projecto vital. Isto supõe um duplo elemento: primeiro, a não abdicação da própria originalidade pela qual o projecto é projecto: o que verdadeiramente vive no homem, o seu enfrentar da realidade ‘desde si mesmo’, ao contrário do animal, que vive simplesmente entregue aos estímulos, respondendo-lhes segundo as leis específicas e as peculiaridades da circunstância externa.
              Em segundo lugar, a autenticidade existencial supõe que o projecto vital que cada homem é está, de algum modo, dado no mesmo homem previamente à sua decisão. Uma decisão forçada contra o próprio fundo do homem, fá-lo inevitavelmente inautêntico. O homem tem que conformar-se consigo próprio. Heidegger, no final de algumas das suas análises em Ser e Tempo recorda o ‘sê tu próprio’, pronunciado tantas vezes pela diversas escolas morais."
              José Gomez Cafarena, Metafísica Fundamental

              segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

              Ortega y Gasset - a vida como problema a ser resolvido

              "A vida é-nos dada, ou, melhor dito, é-nos atirada, ou somos atirados a ela; mas isso que nos é dado, a vida, é um problema que nós precisamos de resolver. E é assim não só nesses casos de especial dificuldade que qualificamos, peculiarmente, de conflitos e aflições, mas é-o sempre."
              Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia?, Lisboa, Edições Cotovia, p.168.

              quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

              LA CONSULTATION PHILOSOPHIQUE: LES DIFFICULTÉS

              ÍNDICE
              - Les frustrations
              - La parole comme prétexte
              - Douleur et péridurale
              - Universel et singulier
              - Accepter la pathologie

              Leia o artigo de OSCAR BRENIFIER AQUI.(Consultation Philosophique)

              "(...)Un des aspects de notre pratique qui pose problème au sujet, est le rapport à la parole que nous tentons d'installer. En effet, d'une part nous lui demandons de sacraliser la parole, puisque nous nous permettons de peser attentivement, ensemble, le moindre terme utilisé, puisque nous nous autorisons à creuser de l'intérieur, ensemble, les expressions utilisées et les arguments avancés, au point de les rendre parfois méconnaissables pour leur auteur, ce qui l'amènera de temps à autre à crier au scandale en voyant sa parole ainsi manipulée. Et d'autre part nous lui demandons de désacraliser la parole, puisque l'ensemble de cet exercice n'est composé que de mots et que peu importe la sincérité ou la vérité de ce qu'il avance: il s'agit simplement de jouer avec les idées, sans pour autant adhérer nécessairement à ce qui est dit. Seule nous intéressent la cohérence, les échos que se renvoient les paroles entre elles, la silhouette mentale qui se dégage lentement et imperceptiblement. Nous demandons simultanément au sujet de jouer à un simple jeu, ce qui implique une distanciation par rapport à ce qui est conçu comme le réel, et en même temps nous lui demandons de jouer aux mots avec le plus grand sérieux, avec la plus grande application, avec plus d'effort qu'il ne met généralement à construire son discours et à l'analyser.(...)"

              segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

              Emotions as Engagements with the World

              Why talk about emotional intelligence? The term itself, which was introduced to the American public by Daniel Goleman in a popular book some years ago, is important primarily for its shock value: emotional intelligence sounds like a contradiction in terms. Traditionally, we have viewed emotions, or what used to be called “passions,” as one distinct side of human nature. Reason, rationality, and intelligence, meanwhile, stand distinct and apart on the other side. Yet those of us who have studied emotions as part of the human experience long ago recognized the intelligence of emotions, so eliminating that false dichotomy and to show the interdependence of philosophy and psychology. 
              Philosophers talk about ethics and the good life, whereas psychologists do rock-bottom science. Yet philosophy has always needed to appeal to empirical psychology, just as empirical psychology has always needed to refer to philosophy. One without the other is incomplete. 
              A battle continues over the nature of emotion—whether it is primarily a physical feeling or some kind of intelligent engagement with the world. I make the existentialist case that our emotions are not dumb feelings or physiological reactions but sometimes intelligent, if often short-sighted, strategies for coping with the world.

              Adaptado de Robert C. Solomon.

              sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

              Henry David Thoreau - Life beyond Logic and The Ethics of Perception

              If one were asked to name the cardinal virtue of Thoreau's philosophy, it would be hard to identify a better candidate than awareness. He attests to the importance of “being forever on the alert,” and of “the discipline of looking always at what is to be seen” (Walden, IV). This exercise may enable one to create remarkably minute descriptions of a sunset, a battle between red and black ants, or the shapes taken by thawing clay on a sand bank: but its primary value lies in the way it affects the quality of our experience. “It is something to be able to paint a particular picture, or to carve a statue, and so to make a few objects beautiful; but it is far more glorious to carve and paint the very atmosphere and medium through which we look” (Walden, II). Awareness cannot be classified as exclusively a moral or an intellectual virtue, either, since knowing is an inescapably practical and evaluative activity. Thoreau has been interpreted as offering an original response to the major problem of modern philosophy, since he recognizes that knowledge is “dependent on the individual's ability to see,” and that “the world as known is thus radically dependent on character” (Tauber 2001, 4–5).  One of the common tenets of ancient philosophy which was abandoned in the period beginning with Descartes is that a person “could not have access to the truth” without undertaking a process of self-purification that would render him “susceptible to knowing the truth” (Foucault 1997, 278–279). For Thoreau, it was the work of a lifetime to cultivate one's receptivity to the beauty of the universe. Believing that “the perception of beauty is a moral test” (Journal, 6/21/52), Thoreau frequently chastises himself or humanity in general for failing in this respect. “How much of beauty—of color, as well as form—on which our eyes daily rest goes unperceived by us,” he laments (Journal, 8/1/60); and he worries that “Nature has no human inhabitant who appreciates her” (Walden, IX). Noticing that his sensory awareness has grown less acute since the time of his youth, he speculates that “the child plucks its first flower with an insight into its beauty and significance which the subsequent botanist never retains” (Journal, 7/16/51 & 2/5/52). In order to attain a clear and truthful view of things, we must refine all the perceptual faculties of our embodied consciousness, and become emotionally attuned to all the concrete features of the place in which we are located. We fully know only those facts that are “warm, moist, incarnated,” and palpably felt: “A man has not seen a thing who has not felt it” (Journal, 2/23/60).  Since our ability to appreciate the significance of phenomena is so easily dulled, it requires a certain discipline in order to become and remain a reliable knower of the world. Like Aristotle, Thoreau believes that the perception of truth “produces a pleasurable sensation”; and he adds that a “healthy and refined nature would always derive pleasure from the landscape” (Journal, 9/24/54 & 6/27/52). Nature will reward the most careful attention paid by a person who is appropriately disposed, but there is only “as much beauty visible to us in the landscape as we are prepared to appreciate,—not a grain more. The actual objects which one person will see from a particular hilltop are just as different from those which another will see as the persons are different” (Journal, 11/4/58). One who is in the right state to be capable of giving a “poetic and lively description” of things will find himself “in a living and beautiful world” (Journal, 10/13/60 & 12/31/59). Beauty, like color, does not lie only in the eye of the beholder: flowers, for example, are indeed beautiful and brightly colored. Nevertheless, beauty—and color, for that matter—can exist only where there is a beholder to perceive it (Journal, 6/15/52 & 1/21/38). From his experience in the field making observations of natural phenomena, Thoreau gained the insight “that he, the supposedly neutral observer, was always and unavoidably in the center of the observation” (McGregor 1997, 113). Because all perception of objects has a subjective aspect, the world can be defined as a sphere centered around each conscious perceiver: wherever we are located, “the universe is built around us, and we are central still” (Journal, 8/24/41). This does not mean that we are trapped inside of our own consciousness; rather, the point is that it is only through the lens of our own subjectivity that we have access to the external world.  What we are able to perceive, then, depends not only upon where we are physically situated: it is also contingent upon who we are and what we value, or how our attention is focused. “Objects are concealed from our view, not so much because they are out of the course of our visual ray as because we do not bring our minds and eyes to bear on them…. A man sees only what concerns him” (“Autumnal Tints”). In other words, there is “no such thing as pure objective observation. Your observation, to be interesting, i.e. to be significant, must be subjective” (Journal, 5/6/54). Subjectivity is not an obstacle to truth, according to Thoreau. After all, he says, “the truest description, and that by which another living man can most readily recognize a flower, is the unmeasured and eloquent one which the sight of it inspires” (Journal, 10/13/60). A true account of the world must do justice to all the familiar properties of objects that the human mind is capable of perceiving. Whether this could be done by a scientific description is a vexing question for Thoreau, and one about which he shows considerable ambivalence. One of his concerns is that the scientist “discovers no world for the mind of man with all its faculties to inhabit”; by contrast, there is “more humanity” in “the unscientific man's knowledge,” since the latter can explain how certain facts pertain to life (Journal, 9/5/51, 2/13/52). He accuses the naturalist of failing to understand color, much less beauty, and asks: “What sort of science is that which enriches the understanding, but robs the imagination?” (Journal, 10/5/61 & 12/25/51)  Thoreau sometimes characterizes science as an ideal discipline that will enrich our knowledge and experience: “The true man of science will know nature better by his finer organization; he will smell, taste, see, hear, feel, better than other men. His will be a deeper and finer experience” (“Natural History of Massachusetts”). Yet he also gives voice to the fear that by weighing and measuring things and collecting quantitative data he may actually be narrowing his vision. The scientist “studies nature as a dead language,” and would rather study a dead fish preserved in a jar than a living one in its native element (Journal, 5/10/53 & 11/30/58). In these same journal entries, Thoreau claims that he seeks to experience the significance of nature, and that “the beauty of the fish” is what is most worthy of being measured. On the other hand, when he finds a dead fish in the water, he brings it home to weigh and measure, covering several pages with his statistical findings (Journal, 8/20/54). This is only one of many examples of Thoreau's fascination with data-gathering, and yet he repeatedly questions its value, as if he does not know what to make of his own penchant for naturalistic research. At the very least, scientific investigations run the risk of being “trivial and petty,” so perhaps what one should do is “learn science and then forget it” (Journal, 1/21/53 & 4/22/52). But Thoreau is more deeply troubled by the possibility that “science is inhuman,” since objects “seen with a microscope begin to be insignificant,” and this is “not the means of acquiring true knowledge” (Journal, 5/1/59 & 5/28/54). Overall, his position is not that a mystical or imaginative awareness of the world is incompatible with knowledge of measurable facts, but that an exclusive focus on the latter would blind us to whatever aspects of reality fall outside the scope of our measurement.  One thing we can learn from all of Thoreau's comments on scientific inquiry is that he cares very much about the following question: what can we know about the world, and how are we able to know it? Although he admires the precision of scientific information, he wonders if what it delivers is always bound to be “something less than the vague poetic” (Journal, 1/5/50). In principle, a naturalistic approach to reality should be able to capture its beauty and significance; in practice, however, it may be “impossible for the same person to see things from the poet's point of view and that of the man of science” (Journal, 2/18/52). In that case, the best we can do is try to convey our intimations of the truth about the universe, and be willing to err on the side of obscurity and excess: “I desire to speak somewhere without bounds; like a man in his waking moment, to men in their waking moments; for I am convinced that I cannot exaggerate enough even to lay the foundation of a true expression… . The words which express our faith and piety are not definite; yet they are significant and fragrant like frankincense to superior natures” (Walden, XVIII). We should not arbitrarily limit our awareness to that which can be described with mathematical exactitude: perhaps the highest knowledge available to us, Thoreau suggests, consists in “a sudden revelation of the insufficiency of all that we called Knowledge before … it is the lighting up of the mist by the sun” (“Walking”). And perhaps this is not a regrettable fact: “At the same time that we are earnest to explore and learn all things, we require that all things be mysterious and unexplorable, that land and sea be infinitely wild, unsurveyed and unfathomed by us because unfathomable” (Walden, XVII). By acknowledging the limits of what we can know with certainty, we open ourselves up to a wider horizon of experience.  As one commentator points out, Thoreau's categories are more dynamic than Kant's, since they are constantly being redefined by what we perceive, even as they shape our way of seeing (Peck 1990, 84–85). Every now and then “something will occur which my philosophy has not dreamed of,” Thoreau says, which demonstrates that the “boundaries of the actual are no more fixed and rigid than the elasticity of our imaginations” (Journal, 5/31/53). Since the thoughts of each knowing subject are “part of the meaning of the world,” it is legitimate to ask: “Who can say what is? He can only say how he sees” (11/4/52 & 12/2/46). Truth is radically perspective-dependent, which means that insofar as we are different people we can only be expected to perceive different worlds (Walls 1995, 213). Thoreau's position might be described as perspectival realism, since he does not conclude that truth is relative but celebrates the diversity of the multifaceted reality that each of us knows in his own distinctive way. “How novel and original must be each new man's view of the universe!” he exclaims; “How sweet is the perception of a new natural fact,” for it suggests to us “what worlds remain to be unveiled” (Journal, 4/2/52 & 4/19/52). We may never comprehend the intimate relation between a significant fact and the perceiver who appreciates it, but we should trust that it is not in vain to view nature with “humane affections” (Journal, 2/20/57 & 6/30/52). With respect to any given phenomenon, the “point of interest” that concerns us lies neither in the coolly independent object nor in the subject alone, but somewhere in between (Journal, 11/5/57). Witnessing the rise of positivism and its ideal of complete objectivity, Thoreau attempts “to preserve an enchanted world and to place the passionate observer in the center of his or her universe” (Tauber 2001, 20). It is a noble goal, and one that remains quite relevant in the philosophical climate of the present day.
              Source: Stanford Encyclopedia of Philosophy

              quarta-feira, 30 de novembro de 2011

              Orientação Filosófica por Karl Jaspers (1883-1969)

              A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
              O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituível de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio. Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
              Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
              Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia. Não se satisfazer com elas, porém, e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, eis o anelo de uma vida filosoficamente orientada. E, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os homens: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.
              São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio. 
              Karl Jaspers, 'Iniciação Filosófica' 

              quinta-feira, 24 de novembro de 2011

              O Sentido da Vida por Moritz Schlick (1882-1936)

              Nem todos se preocupam com a questão de saber se a vida tem sentido. Alguns — e esses não são os mais infelizes — têm a mente de uma criança, que ainda não questionou tais coisas; outros, tendo desaprendido a questão, já não as questionam. Entre ambos estamos nós próprios, aqueles que procuram. Não conseguimos projetar-nos de novo no nível do inocente, para quem a vida ainda não olhou com os seus olhos escuros e misteriosos, e não nos interessa juntarmo-nos aos saturados e fatigados que já não acreditam em qualquer sentido na existência por não terem conseguido encontrar qualquer sentido na sua própria vida.
              Aquele que não conseguiu atingir o objetivo que procurava na sua juventude, e que não encontrou nada que o substituísse, pode lamentar a falta de sentido da sua própria vida, mas pode ainda acreditar que a existência em geral tem sentido e pensar que tal sentido está presente nos casos em que uma pessoa atingiu os seus objetivos. Mas aquele que, depois de muito esforço, conseguiu atingir os seus propósitos, e que depois descobriu que o seu prêmio não é tão valioso como parecia, de alguma maneira sente-se enganado — confronta-se abertamente com a questão do valor da vida e diante dele, como um solo sombrio e devastado, permanece o pensamento de que, para além de todas as coisas serem transitórias, em última análise tudo é em vão…
              Qual é a razão para a estranha contradição que consiste no fato de o sucesso e a satisfação não se fundirem num sentido apropriado? Não parece prevalecer aqui uma lei inexorável da natureza? O ser humano estabelece objetivos para si próprio, e enquanto os persegue apoia-se na esperança, é verdade, mas ao mesmo tempo vive atormentado pela dor do desejo insatisfeito. Logo que atinge o objetivo, no entanto, depois da primeira sensação de triunfo segue-se inevitavelmente um sentimento de desolação. Permanece um vazio, que aparentemente só pode culminar com a emergência dolorosa de novas ambições, com o estabelecimento de novos objetivos. Assim recomeça o jogo, e a existência parece estar condenada a ser uma oscilação incansável entre dor e aborrecimento que termina com o nada que é a morte. Esta é a célebre linha de pensamento que está na base da visão pessimista da vida de Schopenhauer. Não haverá uma maneira de lhe poder escapar?…
              Na verdade, nunca encontraremos um sentido último na vida se a virmos apenas sob o aspecto do propósito.
              Não sei, no entanto, se o fardo dos propósitos pesou alguma vez mais sobre a humanidade do que no momento presente. O presente idolatra o trabalho. Mas trabalho significa atividade dirigida para objetivos, direção para um propósito. Supõe que estás no meio da multidão numa rua agitada de uma cidade e imagina-te a parar os transeuntes, um por um, para lhes perguntares: “Onde é que vais tão depressa? Que assunto importante tens de resolver?” E se, depois de conheceres o objetivo imediato, perguntasses depois pelo propósito desse objetivo, e depois pelo propósito desse propósito, acabarias sempre por chegar ao seguinte propósito depois de poucos passos na sequência: manter a vida, ganhar o próprio pão. E manter a vida porquê? Para esta questão dificilmente conseguirias extrair uma resposta inteligível a partir da informação obtida…
              O núcleo e valor último da vida só pode residir em estados que existem em função de si próprios e que contêm em si próprios a satisfação que proporcionam… Ora, a vida significa movimento e ação, e se desejamos descobrir um sentido nela devemos procurar atividades que contêm o seu valor e propósito em si próprias, independentemente de quaisquer objetivos exteriores; atividades, portanto, que não são trabalho, no sentido filosófico do termo… Existem realmente tais atividades. Para sermos consistentes, devemos chamar-lhes jogos, já que este é o nome para a ação livre e sem propósito, isto é, para a ação que na verdade contém em si o seu propósito…
              Jogar, como entendemos a noção, é qualquer atividade que decorre inteiramente em função de si própria, independentemente dos seus efeitos e consequências. Não há nada que impeça esses efeitos de serem de um tipo útil ou valioso. Se forem, tanto melhor; a ação continua a ser jogo, pois já contém o seu valor em si própria. Bens valiosos podem proceder dela, tal como da atividade intrinsecamente não aprazível em que se procura atingir um propósito. Por outras palavras, também o jogo pode ser criativo; o seu resultado pode coincidir com o do trabalho…
              Olhemos à nossa volta: onde encontramos jogo criativo? O exemplo mais brilhante (que ao mesmo tempo é mais do que um simples exemplo) encontra-se na criação do artista. A sua atividade, que consiste em dar forma ao seu trabalho através da inspiração, é ela própria um prazer, e em parte é por acidente que valores duradouros resultam dela. Enquanto trabalha, o artista pode não pensar no benefício desses valores, pode nem pensar na sua recompensa, já que de outro modo o ato de criação ficará corrompido. O prêmio que abundantemente recompensa não é a corrente de ouro, mas a canção que brota do coração! Assim se sente o poeta, e também o artista. E quem se sente assim naquilo que faz é um artista.
              Considere-se, por exemplo, o cientista. Conhecer, também, é um puro jogo do espírito, a procura da verdade científica é um fim em si mesmo para ele. O cientista adora medir os seus poderes contra os enigmas que a realidade lhe propõe, independentemente dos benefícios que possam de alguma maneira resultar da sua atividade…
              Toda a nossa cultura terá que se concentrar num rejuvenescimento do ser humano, rejuvenescimento no sentido filosófico, de tal maneira que todas as nossas atividades se libertem gradualmente do domínio dos propósitos, que até as ações necessárias para a vida se transformem em jogo…
              Toda a educação deverá encarregar-se de que nada da criança se perca no homem à medida que este amadurece, de que a separação entre a adolescência e a idade adulta vá desaparecendo gradualmente, de tal forma que o homem permaneça um rapaz até aos seus últimos anos, e a mulher uma rapariga, apesar de ser uma mãe. Se precisamos de uma regra de vida, que seja esta: “Preserva o espírito da juventude!” Pois este é o sentido da vida.

              Excertos de um texto de Schlick com tradução de Pedro Galvão 

              quarta-feira, 23 de novembro de 2011

              Carta atribuída a Lincoln: ao professor do meu filho ...

              Apesar de não ser possível confirmar a autenticidade da presente missiva, consideramos que o seu valor e potencial reflexivo independem do autor.

              "Caro professor, 
              Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos,  nem todos são verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que, para cada vilão, há um herói; que para cada egoísta, há também um líder dedicado; ensine-lhe, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo; ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada; ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória. Afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso. Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
              Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa; ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros; ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho; ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
              Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso. Ensine-o a ter  fé sublime em si, pois só assim poderá ter fé na Humanidade. Eu sei que lhe peço muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."