Realizado por Roberto Rossellini, eis uma cinebiografia de Sócrates:
Projecto educacional de divulgação e prática da Filosofia em contextos específicos.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Da prática filosófica sob o regime estético das artes e cumprimento do ethos filosófico - uma reflexão a partir da leitura de A partilha do sensível* de Jacques Rancière
- Pode a busca
cooperativa de uma resposta ser pensada a partir do regime estético da arte de
Rancière?
Propomos
que o conceito de regime de arte enquanto modo de articulação do fazer, do ver
e conceptualização dos anteriores e, em particular, o regime estético da arte
como condição de pensabilidade e identificação das artes se apresenta como oportunidade
para a revalorização das Novas Práticas Filosóficas, nomeadamente na sua
dimensão de dinamização filosófica, ou seja, diálogos de matriz socrática
realizados em situação, em público.
A
emergência das (Novas) Práticas Filosóficas dentro do regime estético da arte
afirma-se não enquanto ruptura mas fundamentalmente como decisão de
reinterpretação do que faz a Filosofia e do que a Filosofia faz. Nesse sentido,
as (Novas) Práticas Filosóficas são expressão de um tempo e espaço
civilizacional anteriormente desvalorizado como a “parte não filosófica” da
Filosofia.
- Pode o diálogo
filosófico, na sua radicalidade e exigência de presença, à semelhança de uma
pintura, escultura ou obra literária, abrir fissuras no consenso e obstaculizar
a redução da política à polícia?
Defendemos
que o diálogo filosófico não difere da obra de arte nas suas potencialidades de
exigência de presença total do espectador/participante, na criação de rupturas
que gritam pela sua exploração e doação de sentido e, por fim, a adequação do
diálogo filosófico à abertura de múltiplas possibilidades.
O
diálogo filosófico, enquanto performance colectiva incoreografável visível
através da crítica argumentativa, põe em jogo todos os intervenientes (não há
espectadores) e por meio da imprevisibilidade do agenciamento afirma-se como
força de desestabilização, de crítica das pretensas evidências e cristalizações
do senso comum, de criação e descoberta de novos conceitos e relações e de
emergência de sentidos tributários da não intencionalidade colectiva.
Será
este momento colectivo de constituição atómica e resultado não antecipável
terreno fértil para a legitimação e suporte do que Rancière define como
polícia? Não cremos. Pelo contrário, e em casos porventura excepcionais, porque
trabalho de problematização e interrogação da actualidade, pode constituir-se
como brecha ou semente de brecha na lógica de funcionamento da mesma. A
produção de um novo conceito, a descoberta de contradições no discurso
legitimador da polícia, o estabelecimento de relações até então invisíveis e
não actuantes pode desconfigurar a ordem do sensível tida como natural.
Assim,
a produção de litígios nascidos da prática filosófica é uma possibilidade e é
possibilidade de introdução de um dissenso entendido como confronto das
configurações instituídas pela polícia com algo inaceitável pela mesma: o
sujeito político. Existe então a política, o confronto entre sujeito(s)
político(s) e a ordem policial.
Desta
forma, pensamos identificar o cumprimento do ethos filosófico identificado por
Foucault e inscrito na tradição kantiana de um pensamento crítico que toma a
forma de uma ontologia da actualidade. Mediante a abertura de um campo de
possibilidades, o diálogo filosófico, como trabalho crítico de problematização
surge como atitude, como crítica permanente da nossa era. Por um lado, é
análise histórica dos limites; por outro lado, nasce a experiência que
possibilita a sua ultrapassagem: a “crítica prática de uma transgressão
possível”.
Nuno
Paulos Tavares
Porto
- Portugal
*
Rancière,
Jacques - Le Partage Du Sensible,
Edição/reimpressão: 2000, Editor: FABRIQUE, Coleção: Beaux Livres Lux
Rancière,
Jacques - A partilha do sensível -
Estética e política, Tradução de Mônica Costa Netto, Coedição: Editora
34/EXO experimental org., 2005 - 1ª edição; 2009 - 2ª edição (Acordo
Ortográfico)
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
HORAS DE FILOSOFIA em São João da Madeira
Uma colaboração Ponto Zero e Enteléquia - Filosofia Prática®
O que acontece nestes encontros? Siga o LINK.
O que acontece nestes encontros? Siga o LINK.
![]() |
| Rua do Dourado, nº 218, 3700-107 São João Da Madeira, Aveiro
23 de Agosto - 5ª Feira
|
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Enigmas da Existência - um livro para quem questiona
Enigmas da Existência: Uma Visita Guiada à Metafísica, de Earl Conee e Theodore Sider
Tradução de Vítor Guerreiro; Revisão científica de Desidério Murcho; Lisboa: Bizâncio, Março de 2010, 272 pp![]() |
Uma introdução à Metafísica, acessível, competente e apaixonante, escrita por dois filósofos de primeira linha. The Times |
As questões da metafísica são das mais profundas e enigmáticas. O que é o tempo? Serei realmente livre ao agir? O
que faz de mim a mesma pessoa que era em criança?
Porque há algo em vez de nada?
Será que sou realmente livre, ou tudo está determinado
desde antes do meu nascimento?
Se alguma vez deu consigo a fazer algumas destas
perguntas, este livro é para si.
Tratando ainda da existência de Deus e da constituição
última da realidade, este livro é um guia para
quem gosta de raciocinar cuidadosamente sobre
estes e outros temas da metafísica — incluindo o
problema de saber o que é afinal a própria Metafísica.
Enigmas da Existência torna a metafísica genuinamente
acessível e até divertida. O seu estilo vívido e
informal dá fulgor aos enigmas e mostra como pode
ser estimulante pensar sobre eles. Não se exige qualquer
formação filosófica prévia para desfrutar deste
livro: qualquer pessoa que queira pensar sobre as
questões mais profundas da vida considerará
Enigmas da Existência um livro provocador
e aprazível.
Fonte: http://criticanarede.com/enigmas.html
domingo, 5 de agosto de 2012
SÓCRATES: quem? Foi SÓCRATES um bom professor?
Excerto de um debate contando com Oscar Brenifier, Walter Kohan e Mauricio Langón.
O debate teve lugar durante o II Encuentro
Internacional de Práctica Filosófica no Perú,organizado pelo Instituto
de Investigaciones del Pensamiento Peruano e Latinoamericano (IIPPLA)
da Facultad de Letras e Ciências Humanas de la Universidad Nacional
Mayor de San Marcos y la Sociedad Peruana de Consejería Filosófica y
Práctica Filosófica.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
A tarefa do FILÓSOFO
«Nietzsche
determinó la tarea de la Filosofía, cuando escribió: "Los filósofos ya no
deben darse por satisfechos con aceptar
los conceptos que se les dan, para limitarse a limpiarlos y darles lustre, sino
que tienen que empezar por fabricarlos, crearlos, plantearlos y convencer a los
hombres de que recurran a ellos. Hasta ahora, en resumidas cuentas, cada cual
confiaba en sus conceptos como en una dote milagrosa procedente de algún mundo
igual de milagroso”1,
pero hay que sustituir la confianza por la desconfianza, y de lo que más tiene
que desconfiar el filósofo es de los conceptos mientras no los haya creado él
mismo (Platón lo sabía perfectamente, aunque enseñara lo contrario...).Platón
decía que había que contemplar las Ideas, pero tuvo antes que crear el concepto
de Idea. ¿Qué valor
tendría un filósofo del que se pudiera decir: no ha creado conceptos, no ha creado
sus conceptos?»
1.Nietzsche, Póstumos 1884-1885,
Oeuvres philosophiques, XI, Gallimard, págs. 215216 (sobre «el arte
de la desconfianza»)
Gilles Deleuze y Félix Guattari, ¿Qué es la filosofía? - Traducción de
Thomas Kauf
Título da edição original: Qu'est-ce que la philosophie?, Les
Editions de Minuit París, 1991
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Realidade(s) e Ficções
Ilustração de um recorrente problema filosófico frequentemente expresso da seguinte forma:
- Afinal não era quem eu pensava!
O que significa conhecer alguém?
É possível conhecer alguém?
Quando e como podemos estar seguros do nosso conhecimento dos outros?
sexta-feira, 20 de julho de 2012
"Ce n'est qu'un début" - documentário sobre a FILOSOFIA e as CRIANÇAS de Jean-Pierre Pozzi e Pierre Barougier
Um grupo de crianças entre os 3 e os 5 anos reunido à volta de uma vela (símbolo do pacto de compromisso com a investigação) debruça-se sobre as grandes questões da vida: amor, morte, liberdade, amizade, diferença, medo, dor...
Eis o ponto de partida para este documentário francês que em 1 hora e 35 minutos reúne os melhores momentos de 180 horas de filmagem de aulas/sessões de introdução filosófica (temas e competências).
Veja o TRAILER (legendado em Castelhano)
segunda-feira, 9 de julho de 2012
À Descoberta de Nada - o início
Depois da Descoberta dos Limites, hoje começa a semana À Descoberta
de Nada no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães.
A sessão iniciou-se
espontaneamente quando o Luís, ao tomar conhecimento do tema, disse que o nada
era branco. Soltou-se a discussão, surgindo duas posições claras: a brancura e
a transparência do nada. Depois de algum tempo dedicado a justificar estas
opções pictóricas, a Guadalupe anunciou uma descoberta (imediata e surpreendente,
surge a piada: O quê? O Bosão de Higgs?) abrindo uma terceira possibilidade: O
nada não pode ter cor porque se tal fosse já seria alguma coisa! Após um
silêncio pensativo, os colegas, reconhecendo a consistência da conclusão, concordaram com a Guadalupe e em seus olhos era
já visível a benigna confusão conceptual instalada por esta experiência de
pensar o nada.
Talvez a via negativa seja um
caminho. O que não é o nada? O diálogo fluiu com mais dificuldade, a necessária
exigida pela radicalidade do discutido. O Ernst deu um contributo valioso para a exploração do
conceito: O oposto de nada é tudo. (Que é preto, ironiza um dos petizes!)
Discutido, exemplificado,
desenhado (Nuno, isto é muito complicado de explicar; posso desenhar?) e
problematizado o tudo, o caminho estava aberto para a Descoberta do Nada.
Dois a dois, dois minutos, uma
questão sobre o nada – eis a tarefa!
Já temos as questões (7) de que é
a feita a curiosidade.
O nada é bom ou mau? – eis a
escolha do grupo para iniciar a investigação!
A fome e o cansaço interromperam
a sessão aos 70 minutos.
T.P.C. – Dinamizar o jantar de
família com a questão: Pais, o que é o nada?
(Continua …)
segunda-feira, 2 de julho de 2012
FILÓSOFOS COM PALMO E MEIO
Reportagem do EURONEWS sobre FILOSOFIA PARA CRIANÇAS
"Estimular a capacidade de raciocínio nos jovens pode melhorar os
resultados da aprendizagem e uma maneira de o fazer é ensinar filosofia.
Nesta edição de Learning World, mostramos-lhe como se tenta desenvolver
o pensamento crítico desde o primeiro dia em algumas salas de aula, nos
Estados Unidos e na Noruega." (Fonte: euronews)
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Eis chegado mais um PROGRAMA À DESCOBERTA de Verão
Prosseguindo a colaboração com o Centro Cultural Vila Flor (CCVF Guimarães) iniciada em 2009,
Enteléquia-Filosofia Prática® organiza sessões de FILOSOFIA PARA CRIANÇAS
entre os dias 2 e 23 de Julho.
Neste Verão vamos À DESCOBERTA DOS LIMITES e À DESCOBERTA DE NADA.
Conheça as nossas actividades em anteriores edições do Programa: http://www.entelequiafilosofiapratica.blogspot.pt/search/label/Programa%20%C3%80%20Descoberta
domingo, 24 de junho de 2012
A Ilha Desconhecida_pelos alunos da Escola da Ponte
Lura - Jornal de Artes e Educação do Centro Cultural Vila Flor - Guimarães
(edição de Abril a Junho de 2012 - Número 21)
![]() |
| Artigo escrito pelos participantes do 3º Ciclo do Ensino Básico |
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Toward Philosophy of the Practice of Philosophy
"The vital necessity of the Practice of Philosophy stems from the severe disorientation which characterizes our contemporary ways of living with contemporary developments in nature, politics, society, technology.The disorientation shows itself in four major ways:
- the decrease of awareness of oneself as a subject
- the loss of intellectual and spiritual energy
- the renunciation of autonomy in the face of the sciences
- fundamentalism, beside nihilism and relativism."
Toward Philosophy of the Practice of Philosophy. An invitation to philosophical dialogue among practitioners of philosophy about the nature of their work. by Thomas Gutknecht (Translation: Petra von Morstein)
- the decrease of awareness of oneself as a subject
- the loss of intellectual and spiritual energy
- the renunciation of autonomy in the face of the sciences
- fundamentalism, beside nihilism and relativism."
Toward Philosophy of the Practice of Philosophy. An invitation to philosophical dialogue among practitioners of philosophy about the nature of their work. by Thomas Gutknecht (Translation: Petra von Morstein)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
PENSO, LOGO VOO! - o Filme
PENSO, LOGO VOO! cumpre o terceiro ano de Filosofia para Crianças no Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres.
Fortalecendo o laço família-escola, desta vez os Pais e Encarregados de Educação foram convidados a assistir aos melhores momentos das sessões, bem como a experimentá-los!
O acaso, na sua infinda proficiência, trouxe até nós também um grupo de alunos do 10º ano, o que perfez uma bonita comunidade de investigação formada por quatro gerações diferentes!
Um auditório tão especial quão dedicado!
«- Pode um donut andar?
«-Sim, mas com alguém, pois não é animado.
- Mas há muitas coisas inanimadas que andam...»
«- Pode um banco reflectir?
- Claro! As pessoas que trabalham no banco, enquanto empresa, podem reflectir. Elas são o banco.
- Um banco pode, sendo objecto, proporcionar reflexão...
- Mas quem reflecte é o banco?
- Hummm... Não.
- Claro que pode! Pode refectir a luz!»
« - Pode um camelo sonhar? (- Desde já clarifico que, quando digo "camelo" quero mesmo dizer "camelo". Sim, o animal com duas bossas e que atravessa desertos.)»
A necessidade da comunidade de investigação esclarecer e definir sobre o que se debruça tornou-se consciente neste breve exercício demonstrativo.
«- E "sonhar", o que quer dizer com "sonhar"?»
O Martim gostou de se ver no filme que encerrou este encontro!
Agradeço a toda a excelente equipa que torna possível tais voos e dou os parabéns aos viajantes principais - os alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira!
A facilitadora, Laurinda Silva
quarta-feira, 30 de maio de 2012
FILOSOFIA para PAIS e FILHOS
Sábados em Família na Biblioteca Municipal de FARO
Sábado - 9 de Junho - 16:00
- Crianças dos 6 aos 8 anos acompanhadas por um adulto.
![]() |
Inscrição prévia: 3 euros |
Conheça a nossa prática filosófica com crianças
A primeira experiência com este modelo de juntar pais e filhos foi numa Oficina de Filosofia para Crianças, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Filosofia, no Centro Lúdico de Oliveira de Azeméis - 18 e 20 de Novembro de 2010.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Se eu fosse invisível...
«... usava os sapatos da minha mãe.»
«... fugia de casa e ia para Faro passear.»
«... ia ao circo sem pagar bilhete!»
«... fugia para o Brasil. Eu já estive lá e gostava de voltar.»
«... lia os livros todos da biblioteca! (A Inês até ia ficar assustada porque só via o livro no ar!)»
«... ia passear para Espanha!»
«... matava o diabo. Porque ele faz coisas más!»
A sessão varia a cadência sem abrandar o ritmo.
- Então e matar, não é mau? Há pouco ficaram muito tristes por Giges ter morto o Rei, usando o seu anel mágico...
- Mas o diabo é mau...
- E se o Rei fosse mau?
- Ah!, então já não dizíamos "coitado do Rei"...
O compasso normal volta, depois de nos apercebermos que não sabemos muitas coisas sobre o diabo: está na nossa imaginação? Existe mesmo? Onde mora? Na Terra? Debaixo da terra? Num buraco na terra... (Bem, uma coisa sabemos: Deus mora no céu!)
«... usava a roupa que me apetecesse.»
«... assustava o meu mano.»
«... comia os bolos todos que desejasse.»
«... ia de férias para Búzios!»
«... fazia coisas más.» - uhuuuu - os apupos de quem ouve fazem o Leandro reagir - «Sim!, quando ninguém nos vê fazemos coisas más. Se nos virem fazemos coisas boas!»
É o que o mito platónico em A República (O Anel de Giges) proporciona, ainda hoje, aos alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira.
«... fugia de casa e ia para Faro passear.»
«... ia ao circo sem pagar bilhete!»
«... fugia para o Brasil. Eu já estive lá e gostava de voltar.»
«... lia os livros todos da biblioteca! (A Inês até ia ficar assustada porque só via o livro no ar!)»
«... ia passear para Espanha!»
«... matava o diabo. Porque ele faz coisas más!»
A sessão varia a cadência sem abrandar o ritmo.
- Então e matar, não é mau? Há pouco ficaram muito tristes por Giges ter morto o Rei, usando o seu anel mágico...
- Mas o diabo é mau...
- E se o Rei fosse mau?
- Ah!, então já não dizíamos "coitado do Rei"...
O compasso normal volta, depois de nos apercebermos que não sabemos muitas coisas sobre o diabo: está na nossa imaginação? Existe mesmo? Onde mora? Na Terra? Debaixo da terra? Num buraco na terra... (Bem, uma coisa sabemos: Deus mora no céu!)
«... usava a roupa que me apetecesse.»
«... assustava o meu mano.»
«... comia os bolos todos que desejasse.»
«... ia de férias para Búzios!»
«... fazia coisas más.» - uhuuuu - os apupos de quem ouve fazem o Leandro reagir - «Sim!, quando ninguém nos vê fazemos coisas más. Se nos virem fazemos coisas boas!»
É o que o mito platónico em A República (O Anel de Giges) proporciona, ainda hoje, aos alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira.
Obrigada a todos por estas sessões!
Espinosa, o universo-Deus e uma pergunta triste - artigo
Por Nuno Paulos Tavares
“Não rir nem chorar, mas compreender.” Espinosa
Descartes, o racionalista, propôs três tipos de substância: mente, matéria e Deus. Espinosa, o racionalista, argumenta que apenas existe um tipo: Deus. Para Espinosa, Deus não é uma força, pessoa ou princípio que coloca o universo de matéria e mente em existência. Deus é o todo da existência na sua vasta, misteriosa e interconectada totalidade.
Tendo a Geometria como modelo de raciocínio, Espinosa procura fundamentar este panteísmo e todas as suas noções a partir de primeiros princípios. Por exemplo: Deus, sendo perfeito, não pode ser menos do que o universo como um todo. Mente e matéria são, assim, aspectos do universo. Não possuem existência independente. Podemos vê-las como separadas, podemos questionar sobre as suas conexões mas tais questões ligam-se à inevitável ignorância, falibilidade e percepção limitada do humano e não à natureza inerente do universo. Desta forma, de uma estocada, Espinosa afasta a insolúvel questão sobre como corpos e mentes interagem e o papel de um Deus transcendente. Não existe interacção uma vez que não existe separação. Deus é imanente; o universo não pode existir separadamente de Deus pois é Deus.
Para Espinosa, o universo-Deus é uma totalidade e qualquer tipo de separação ou conceptualização é produto de mentes pequenas apreendendo apenas pequenas partes de cada vez. Dividimos o universo em partes, átomos, moléculas, cadeiras, mesas e depois fazemos perguntas sobre como essas partes se interrelacionam. O que esquecemos é que existem partes do universo apenas porque a nossa mente o despedaçou. O universo, qual vasta pintura sem limites, é demasiado para compreendermos, por isso, transformamo-lo num puzzle de biliões de peças, cada peça sendo pequena e simples o suficiente para a nossa mente perceber. E depois perguntamos: Quais as relações entre as peças? Como podemos juntar todas as peças do puzzle?
Na verdade, as peças não se relacionam: não encaixam porque na realidade não existem. Conexões são o que fazemos com a mente e não realidades a serem descobertas no mundo.
O universo pode ser apreendido como uma totalidade mas unicamente um poder infinito pode apreender uma infinita realidade. Tal é Deus, o universo como um todo.
Desde imemoriais tempos e remotas paragens, místicos sempre afirmaram entrever o universo como totalidade interligada. Esta visão e forma de ser foram apresentadas como fonte de cura, força, inspiração e conhecimento. Espinosa não afirma a unidade da existência como resultado de qualquer experiência mística mas a partir da dedução e análise matemática. Tenta mostrar que o que afirma é verdadeiro exactamente do mesmo modo que Euclides deduz regras de geometria a partir de axiomas básicos, com proposições, postulados, provas, definições, lemas e corolários, dispostos sistematicamente, um procedendo logicamente do outro.
Espinosa acreditava que a unidade da existência tinha um valor prático para as pessoas nas suas vidas quotidianas pois a felicidade e a miséria são em larga medida determinadas pela estreiteza da visão que lançamos sobre tudo. A busca desta visão abrangente, análoga à de Deus em sua ambição, abertura da verdadeira comunhão cósmica, tem o poder de tudo pôr em perspectiva e fomentar um adequado sentido de admiração, reverência, humildade, talvez puro delírio, face ao vasto mistério da existência.
Esta visão pode (?) ser bastante para alentar a alma e funcionar como meio de encontrar tranquilidade interior mesmo nas piores circunstâncias. É inegável que a colocação em perspectiva mais abrangente das preocupações individuais tem sido e continuará a ser uma forma de lidar com situações indesejáveis, circunstâncias dolorosas e momentos avassaladores. Os Estóicos fizeram-no, via autodisciplina e controlo dos pensamentos e predisposições autodestrutivas. Segundo Espinosa, a via primeira é um processo de alargamento do nosso entendimento sobre a nossa comunhão com a existência: um passo de aproximação à experiência divina.
Subsumidos numa perspectiva secular, atomizada e individualista da existência, somos impelidos pela insegurança e as nossas vidas uma luta constante para fazer mais connosco e juntar coisas à nossa volta. Ameaças espreitam de todo o lugar. O medo da perda aumenta à medida que mais ganhamos. Tempo, circunstância e outras pessoas são inimigos ou potenciais rivais. Persistimos em tentar acompanhá-los, batê-los, controlá-los, dominá-los. Eventualmente, o tempo irá acabar para nós. Levará tudo que temos e acarinhamos. Somos sozinhos na impermanência das nossas alianças, ligações, triunfos e tragédias.
Por isso, Espinosa! A nossa interacção com a existência assemelha-se a uma dança: mais do que algo a ser atingido, a harmonia é algo percebido. O comportamento ético e cooperativo é inextrincável da nossa visão da subjacente unidade da existência. Agimos bem porque a acção boa é um dos meios para uma vida preenchida e una. Alimentamo-nos de acções boas, do mesmo modo que de pensamentos bons e sentimentos bons.
Alguém que pergunte “Porque tenho de comer?” é, sem dúvida, iludido e ignorante. Onde está o seu insight e apetite? Da mesma forma, uma pessoa que questione “Porque tenho de agir bem?” é tristemente inconsciente das forças unificadoras da existência.
Artigo publicado no Jornal Ecos, Maio 2012
Tendo a Geometria como modelo de raciocínio, Espinosa procura fundamentar este panteísmo e todas as suas noções a partir de primeiros princípios. Por exemplo: Deus, sendo perfeito, não pode ser menos do que o universo como um todo. Mente e matéria são, assim, aspectos do universo. Não possuem existência independente. Podemos vê-las como separadas, podemos questionar sobre as suas conexões mas tais questões ligam-se à inevitável ignorância, falibilidade e percepção limitada do humano e não à natureza inerente do universo. Desta forma, de uma estocada, Espinosa afasta a insolúvel questão sobre como corpos e mentes interagem e o papel de um Deus transcendente. Não existe interacção uma vez que não existe separação. Deus é imanente; o universo não pode existir separadamente de Deus pois é Deus.
Para Espinosa, o universo-Deus é uma totalidade e qualquer tipo de separação ou conceptualização é produto de mentes pequenas apreendendo apenas pequenas partes de cada vez. Dividimos o universo em partes, átomos, moléculas, cadeiras, mesas e depois fazemos perguntas sobre como essas partes se interrelacionam. O que esquecemos é que existem partes do universo apenas porque a nossa mente o despedaçou. O universo, qual vasta pintura sem limites, é demasiado para compreendermos, por isso, transformamo-lo num puzzle de biliões de peças, cada peça sendo pequena e simples o suficiente para a nossa mente perceber. E depois perguntamos: Quais as relações entre as peças? Como podemos juntar todas as peças do puzzle?
Na verdade, as peças não se relacionam: não encaixam porque na realidade não existem. Conexões são o que fazemos com a mente e não realidades a serem descobertas no mundo.
O universo pode ser apreendido como uma totalidade mas unicamente um poder infinito pode apreender uma infinita realidade. Tal é Deus, o universo como um todo.
Desde imemoriais tempos e remotas paragens, místicos sempre afirmaram entrever o universo como totalidade interligada. Esta visão e forma de ser foram apresentadas como fonte de cura, força, inspiração e conhecimento. Espinosa não afirma a unidade da existência como resultado de qualquer experiência mística mas a partir da dedução e análise matemática. Tenta mostrar que o que afirma é verdadeiro exactamente do mesmo modo que Euclides deduz regras de geometria a partir de axiomas básicos, com proposições, postulados, provas, definições, lemas e corolários, dispostos sistematicamente, um procedendo logicamente do outro.
Espinosa acreditava que a unidade da existência tinha um valor prático para as pessoas nas suas vidas quotidianas pois a felicidade e a miséria são em larga medida determinadas pela estreiteza da visão que lançamos sobre tudo. A busca desta visão abrangente, análoga à de Deus em sua ambição, abertura da verdadeira comunhão cósmica, tem o poder de tudo pôr em perspectiva e fomentar um adequado sentido de admiração, reverência, humildade, talvez puro delírio, face ao vasto mistério da existência.
Esta visão pode (?) ser bastante para alentar a alma e funcionar como meio de encontrar tranquilidade interior mesmo nas piores circunstâncias. É inegável que a colocação em perspectiva mais abrangente das preocupações individuais tem sido e continuará a ser uma forma de lidar com situações indesejáveis, circunstâncias dolorosas e momentos avassaladores. Os Estóicos fizeram-no, via autodisciplina e controlo dos pensamentos e predisposições autodestrutivas. Segundo Espinosa, a via primeira é um processo de alargamento do nosso entendimento sobre a nossa comunhão com a existência: um passo de aproximação à experiência divina.
Subsumidos numa perspectiva secular, atomizada e individualista da existência, somos impelidos pela insegurança e as nossas vidas uma luta constante para fazer mais connosco e juntar coisas à nossa volta. Ameaças espreitam de todo o lugar. O medo da perda aumenta à medida que mais ganhamos. Tempo, circunstância e outras pessoas são inimigos ou potenciais rivais. Persistimos em tentar acompanhá-los, batê-los, controlá-los, dominá-los. Eventualmente, o tempo irá acabar para nós. Levará tudo que temos e acarinhamos. Somos sozinhos na impermanência das nossas alianças, ligações, triunfos e tragédias.
Por isso, Espinosa! A nossa interacção com a existência assemelha-se a uma dança: mais do que algo a ser atingido, a harmonia é algo percebido. O comportamento ético e cooperativo é inextrincável da nossa visão da subjacente unidade da existência. Agimos bem porque a acção boa é um dos meios para uma vida preenchida e una. Alimentamo-nos de acções boas, do mesmo modo que de pensamentos bons e sentimentos bons.
Alguém que pergunte “Porque tenho de comer?” é, sem dúvida, iludido e ignorante. Onde está o seu insight e apetite? Da mesma forma, uma pessoa que questione “Porque tenho de agir bem?” é tristemente inconsciente das forças unificadoras da existência.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
A função moral (para alguns anagógica) da EDUCAÇÃO por EINSTEIN
“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."
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