sexta-feira, 8 de junho de 2012

Toward Philosophy of the Practice of Philosophy

"The vital necessity of the Practice of Philosophy stems from the severe disorientation which characterizes our contemporary ways of living with contemporary developments in nature, politics, society, technology.The disorientation shows itself in four major ways:

                - the decrease of awareness of oneself as a subject
                - the loss of intellectual and spiritual energy
                - the renunciation of autonomy in the face of the sciences
                - fundamentalism, beside nihilism and relativism."

Toward Philosophy of the Practice of Philosophy. An invitation to philosophical dialogue among practitioners of philosophy about the nature of their work. by Thomas Gutknecht (Translation: Petra von Morstein)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PENSO, LOGO VOO! - o Filme

PENSO, LOGO VOO! cumpre o terceiro ano de Filosofia para Crianças no Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres.
Fortalecendo o laço família-escola, desta vez os Pais e Encarregados de Educação foram convidados a assistir aos melhores momentos das sessões, bem como a experimentá-los!
O acaso, na sua infinda proficiência, trouxe até nós também um grupo de alunos do 10º ano, o que perfez uma bonita comunidade de investigação formada por quatro gerações diferentes!
Um auditório tão especial quão dedicado!

«- Pode um donut andar?
«-Sim, mas com alguém, pois não é animado.
- Mas há muitas coisas inanimadas que andam...»

«- Pode um banco reflectir?
- Claro! As pessoas que trabalham no banco, enquanto empresa, podem reflectir. Elas são o banco.
- Um banco pode, sendo objecto, proporcionar reflexão...
- Mas quem reflecte é o banco?
- Hummm... Não.
- Claro que pode! Pode refectir a luz!»

« - Pode um camelo sonhar? (- Desde já clarifico que, quando digo "camelo" quero mesmo dizer "camelo". Sim, o animal com duas bossas e que atravessa desertos.)» 

A necessidade da comunidade de investigação esclarecer e definir sobre o que se debruça tornou-se consciente neste breve exercício demonstrativo.

«- E "sonhar", o que quer dizer com "sonhar"?»

O Martim gostou de se ver no filme que encerrou este encontro!

Agradeço a toda a excelente equipa que torna possível tais voos e dou os parabéns aos viajantes principais  - os alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira!
A facilitadora, Laurinda Silva

quarta-feira, 30 de maio de 2012

FILOSOFIA para PAIS e FILHOS

Sábados em Família na Biblioteca Municipal de FARO

 

Sábado - 9 de Junho - 16:00 

 

- Crianças dos 6 aos 8 anos acompanhadas por um adulto.

Inscrição prévia: 3 euros

Conheça a nossa prática filosófica com crianças
A primeira experiência com este modelo de juntar pais e filhos foi numa Oficina de Filosofia para Crianças, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Filosofia, no Centro Lúdico de Oliveira de Azeméis - 18 e 20 de Novembro de 2010.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Se eu fosse invisível...

«... usava os sapatos da minha mãe.»
«... fugia de casa e ia para Faro passear.»
«... ia ao circo sem pagar bilhete!»
«... fugia para o Brasil. Eu já estive lá e gostava de voltar.»
«... lia os livros todos da biblioteca! (A Inês até ia ficar assustada porque só via o livro no ar!)»
«... ia passear para Espanha!»
«... matava o diabo. Porque ele faz coisas más!»
A sessão varia a cadência sem abrandar o ritmo.
- Então e matar, não é mau? Há pouco ficaram muito tristes por Giges ter morto o Rei, usando o seu anel mágico...
- Mas o diabo é mau...
- E se o Rei fosse mau?
- Ah!, então já não dizíamos "coitado do Rei"...
O compasso normal volta, depois de nos apercebermos que não sabemos muitas coisas sobre o diabo: está na nossa imaginação? Existe mesmo? Onde mora? Na Terra? Debaixo da terra? Num buraco na terra... (Bem, uma coisa sabemos: Deus mora no céu!)
«... usava a roupa que me apetecesse.»
«... assustava o meu mano.»
«... comia os bolos todos que desejasse.»
«... ia de férias para Búzios!»
«... fazia coisas más.» - uhuuuu - os apupos de quem ouve fazem o Leandro reagir - «Sim!, quando ninguém nos vê fazemos coisas más. Se nos virem fazemos coisas boas!»
É o que o mito platónico em A República (O Anel de Giges)  proporciona, ainda hoje, aos alunos do 1º A e B da EB1 nº 2 de Quarteira.


Obrigada a todos por estas sessões!

Espinosa, o universo-Deus e uma pergunta triste - artigo

Por Nuno Paulos Tavares 
                                                  “Não rir nem chorar, mas compreender.”     Espinosa

Descartes, o racionalista, propôs três tipos de substância: mente, matéria e Deus. Espinosa, o racionalista, argumenta que apenas existe um tipo: Deus. Para Espinosa, Deus não é uma força, pessoa ou princípio que coloca o universo de matéria e mente em existência. Deus é o todo da existência na sua vasta, misteriosa e interconectada totalidade.
Tendo a Geometria como modelo de raciocínio, Espinosa procura fundamentar este panteísmo e todas as suas noções a partir de primeiros princípios. Por exemplo: Deus, sendo perfeito, não pode ser menos do que o universo como um todo. Mente e matéria são, assim, aspectos do universo. Não possuem existência independente. Podemos vê-las como separadas, podemos questionar sobre as suas conexões mas tais questões ligam-se à inevitável ignorância, falibilidade e percepção limitada do humano e não à natureza inerente do universo. Desta forma, de uma estocada, Espinosa afasta a insolúvel questão sobre como corpos e mentes interagem e o papel de um Deus transcendente. Não existe interacção uma vez que não existe separação. Deus é imanente; o universo não pode existir separadamente de Deus pois é Deus.
Para Espinosa, o universo-Deus é uma totalidade e qualquer tipo de separação ou conceptualização é produto de mentes pequenas apreendendo apenas pequenas partes de cada vez. Dividimos o universo em partes, átomos, moléculas, cadeiras, mesas e depois fazemos perguntas sobre como essas partes se interrelacionam. O que esquecemos é que existem partes do universo apenas porque a nossa mente o despedaçou. O universo, qual vasta pintura sem limites, é demasiado para compreendermos, por isso, transformamo-lo num puzzle de biliões de peças, cada peça sendo pequena e simples o suficiente para a nossa mente perceber. E depois perguntamos: Quais as relações entre as peças? Como podemos juntar todas as peças do puzzle?
Na verdade, as peças não se relacionam: não encaixam porque na realidade não existem. Conexões são o que fazemos com a mente e não realidades a serem descobertas no mundo.
O universo pode ser apreendido como uma totalidade mas unicamente um poder infinito pode apreender uma infinita realidade. Tal é Deus, o universo como um todo.
Desde imemoriais tempos e remotas paragens, místicos sempre afirmaram entrever o universo como totalidade interligada. Esta visão e forma de ser foram apresentadas como fonte de cura, força, inspiração e conhecimento. Espinosa não afirma a unidade da existência como resultado de qualquer experiência mística mas a partir da dedução e análise matemática. Tenta mostrar que o que afirma é verdadeiro exactamente do mesmo modo que Euclides deduz regras de geometria a partir de axiomas básicos, com proposições, postulados, provas, definições, lemas e corolários, dispostos sistematicamente, um procedendo logicamente do outro.
Espinosa acreditava que a unidade da existência tinha um valor prático para as pessoas nas suas vidas quotidianas pois a felicidade e a miséria são em larga medida determinadas pela estreiteza da visão que lançamos sobre tudo. A busca desta visão abrangente, análoga à de Deus em sua ambição, abertura da verdadeira comunhão cósmica, tem o poder de tudo pôr em perspectiva e fomentar um adequado sentido de admiração, reverência, humildade, talvez puro delírio, face ao vasto mistério da existência.
Esta visão pode (?) ser bastante para alentar a alma e funcionar como meio de encontrar tranquilidade interior mesmo nas piores circunstâncias. É inegável que a colocação em perspectiva mais abrangente das preocupações individuais tem sido e continuará a ser uma forma de lidar com situações indesejáveis, circunstâncias dolorosas e momentos avassaladores. Os Estóicos fizeram-no, via autodisciplina e controlo dos pensamentos e predisposições autodestrutivas. Segundo Espinosa, a via primeira é um processo de alargamento do nosso entendimento sobre a nossa comunhão com a existência: um passo de aproximação à experiência divina.
Subsumidos numa perspectiva secular, atomizada e individualista da existência, somos impelidos pela insegurança e as nossas vidas uma luta constante para fazer mais connosco e juntar coisas à nossa volta. Ameaças espreitam de todo o lugar. O medo da perda aumenta à medida que mais ganhamos. Tempo, circunstância e outras pessoas são inimigos ou potenciais rivais. Persistimos em tentar acompanhá-los, batê-los, controlá-los, dominá-los. Eventualmente, o tempo irá acabar para nós. Levará tudo que temos e acarinhamos. Somos sozinhos na impermanência das nossas alianças, ligações, triunfos e tragédias.
Por isso, Espinosa! A nossa interacção com a existência assemelha-se a uma dança: mais do que algo a ser atingido, a harmonia é algo percebido. O comportamento ético e cooperativo é inextrincável da nossa visão da subjacente unidade da existência. Agimos bem porque a acção boa é um dos meios para uma vida preenchida e una. Alimentamo-nos de acções boas, do mesmo modo que de pensamentos bons e sentimentos bons.
Alguém que pergunte “Porque tenho de comer?” é, sem dúvida, iludido e ignorante. Onde está o seu insight e apetite? Da mesma forma, uma pessoa que questione “Porque tenho de agir bem?” é tristemente inconsciente das forças unificadoras da existência.

Artigo publicado no Jornal Ecos, Maio 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A função moral (para alguns anagógica) da EDUCAÇÃO por EINSTEIN

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Filosofia e as sete artes liberais

O jardim das delícias
A Filosofia e as sete artes liberais em Herrad de Hohenburgo
Herrad of Hohenbourg, Hortus Deliciarum, R. GREEN, M. EVANS, CH. BISCHOFF, M. CURSCHMANN (eds.), 2 vol., (Studies of the Warburg Institute 36) The Warburg Institute, London 1979, vol. II, pr. 18.

MEIRINHOS, José – “O sistema das ciências num esquema do século XII no manuscrito 17 de Santa Cruz de Coimbra (Porto, BPM, Geral 21)”. Medievalista [Em linha]. Nº7, (Dezembro de 2009).Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/. ISSN 1646-740X.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS - A intuição do inefável

O desafio era enorme. A próxima hora seria dedicada à pesquisa filosófica. 
O que procurámos? Uma definição. Qual? Da BELEZA. 
Não a encontrámos mas todos já sabemos que isso não é o mais importante. 
A Filosofia não é uma aventura em linha recta. A Joana, de oito anos, deu um contributo que a todos intrigou e cuja discussão se tornou A SESSÃO.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ouvir Schubert lembra-me...




 
«A Minha avó a dançar ballet.»

«Máquinas e formas.»

«O sol a ir-se embora.»

«A minha família, as borboletas, os anjos e Deus.»

- Sessão de Filosofia para Crianças, 1º A da E.B. nº 2 de Quarteira -
PENSO, LOGO VOO!
O mais importante é manter o mais importante 
como mais importante.

O QUE É O MAIS IMPORTANTE ?

domingo, 22 de abril de 2012

But chief and regnant through the frame entire 

Is still that counsel wich we call the mind. 

                                                           Lucretius, On the Nature of Things

-- Aconselhamento Filosófico/Philosophical Counselling:

Follow the LINKs a) b)

sábado, 21 de abril de 2012

Da Filosofia - a essência da prática filosófica

Seja qual for a questão sobre a que tenhamos de deliberar, torna-se necessário conhecer aquilo sobre que vai deliberar-se, meu rapaz, pois de outro modo, forçosamente nos enganaremos. Ora, uma das coisas que escapa à maioria dos homens é a coisa na sua essência e, como julgam conhecê-la, jamais chegam a encontrar um ponto de acordo para iniciarem uma pesquisa qualquer e, à medida que avançam nessa pesquisa, colhem o devido castigo pois nem chegam a concordar com eles mesmos, nem com as outras pessoas. Por este motivo, façamos votos para que nem tu, nem eu, venhamos a incorrer no defeito que ora apontamos aos outras; mas, bem pelo contrário (...) procuremos uma definição de comum acordo, tentando tê-la sempre em mente (...).

Platão, Fedro, 237 c

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Jurgen Habermas - “Tres modelos de democracia. Sobre el concepto de una política deliberativa”

En este breve artículo, Jürgen Habermas expone la contraposición de Michelman de la comprensión liberal de la política y la comprensión republicana, que implican diferencias en sus conceptos respectivos de ciudadano o de derecho. Frente a ambos, esbozará, en el segundo punto de su intervención, un modelo “intermedio”, el de “política deliberativa”.
Leia o artigo aqui.

Fonte: http://efimeroescombrera.wordpress.com/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Alguns contributos para o questionamento da cultura cientifíco-tecnológica

Sugestões bibliográficas
  • Martin Heidegger: A Questão da Técnica
  • Ortega y Gasset: Meditação sobre a Técnica
  • Jacques Ellul: A Técnica ou o Desafio do Século
  • Edgar Morin: Cultura de Massas; Ciência com Consciência
  • Roger Garaudy: Alternativa: Modificar o Mundo e a Vida; Para um Diálogo de Civilizações
  • Herbert Marcuse: O Homem Unidimensional: Estudos acerca da Ideologia da Sociedade
  • Jurgen Habermas: Técnica e Ciência como "Ideologia"; Teoria e Práxis; Teoria do Agir Comunicacional

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Epicuro desfaz equívocos sobre o Epicurismo: prazer, vida boa e prudência

"Quando dizemos que o prazer é o fim, não queremos dizer o prazer do extravagante ou o que depende da satisfação física — como pensam algumas pessoas que não compreendem os nossos ensinamentos, discordam deles ou os interpretam malevolamente — mas por prazer queremos dizer o estado em que o corpo se libertou da dor e a mente da ansiedade. Nem beber e dançar continuamente, nem o amor sexual, nem a fruição de peixe ou seja o que for que a mesa luxuosa oferece gera a vida agradável; ao invés, esta é produzida pela razão que é sóbria, que examina o motivo de toda a escolha e rejeição, e que afasta todas aquelas opiniões através das quais a mente fica dominada pelo maior tumulto.

De tudo isto o bem inicial e principal é a prudência. Por esta razão, a prudência é mais preciosa do que a própria filosofia. Todas as outras virtudes nascem dela. Ensina-nos que não é possível viver agradavelmente sem ao mesmo tempo viver prudentemente, nobremente e justamente, nem viver prudentemente, nobremente e justamente sem viver agradavelmente; pois as virtudes cresceram em união íntima com a vida agradável, e a vida agradável não pode ser separada das virtudes."

Carta a Meneceu ou Carta sobre a felicidade

Leia aqui: http://criticanarede.com/meneceu.html

terça-feira, 10 de abril de 2012

Programa À Descoberta - Centro Cultural Vila Flor - Guimarães

A última sessão da edição de Páscoa foi dedicada ao SILÊNCIO. A curiosidade foi ensurdecedora!

                            O QUE É O SILÊNCIO?


Uma pausa, calma pura, um pensamento, algo bom para a saúde, ausência de ruído, ruído ... eis algumas das hipóteses discutidas.



    O final ofereceu-nos uma inquietante questão:

  
Qual o som de uma estrela a cair?

Obrigado a todos participantes.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Platão: A Apologia de Sócrates - pdf

"(...) Ora, é possível que alguém perguntasse: — Sócrates, não poderias viver longe da pátria, calado e em paz? Eis justamente o que é mais difícil fazer e aceitar a alguns dentre vós: Se digo que seria desobedecer ao Deus e que, por essa razão, eu não poderia ficar tranquilo, não acreditaríeis em mim, supondo que tal afirmação é, de minha parte, uma fingida ingenuidade. Se, ao contrário, digo que o maior bem para um homem é justamente este, falar todos os dias sobre a virtude e os outros argumentos sobre os quais me ouvistes raciocinar, examinando a mim mesmo e aos outros e, que uma vida sem esse exame não é digna de ser vivida, ainda menos acreditaríeis ouvindo-me dizer tais coisas. Entretanto, é assim, como digo, ó cidadãos, mas aqui não é fácil ser persuasivo.(...)"
                                            
                                                  Faça aqui o download.

"(...)Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de  existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. (...) Assim, se a morte é isso, eu por mim a considero um presente, porquanto, desse modo, todo o tempo se resume a uma única noite.
Se, ao contrário, a morte é como uma passagem deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram todos os mortos, qual o bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este?(...)"