terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida."                                              John Dewey

sábado, 21 de janeiro de 2012

NIETZSCHE - contributos para a consulta filosófica

"Quem atinge o seu ideal, ultrapassa-o precisamente por isso."
Para Além do Bem e do Mal
  • Nietzsche desafia as fantasias da possibilidade ou necessidade de a vida ser justa e gratificante. 
  • A autêntica humanidade exige a descoberta da coragem para enfrentar a realidade e o abandono das aconchegantes narrativas do conforto e consolação.
  • A coragem, carácter ou força para empreender uma autêntica viagem de auto-expressão não estão presentes na maioria de nós.
  • Não existe EU a ser descoberto. O EU (self) deve ser transcendido, abandonado no caminho.
  • Assim, a nossa tarefa não é encontrarmo-nos mas ultrapassarmo-nos. Ou, em linguagem StrarTrekiana : “to boldly go where no man has been before.”
  • Esta ultrapassagem não é a de Schopenhauer e do Budismo, a via da renúncia, do desprendimento. Pelo contrário, Zaratustra insta-nos à auto-afirmação enérgica e intransigente. Arrisca! Faz! Move-te para além do que pensas que sabes que és!
  • Informações sobre consultas de Aconselhamento Filosófico
  • Entrada sobre Nietzsche na Stanford Encyclopedia of Philosophy


            quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

            Uma (boa) sugestão: Enteléquia - Filosofia Prática®



            DICIOPÉDIA 2010
            EDUCARE - O PORTAL DA EDUCAÇÃO
            O SÍTIO DOS MIÚDOS

            O que eu mais gosto é de ser Rei!

            Apenas a sessão de apresentações e já o entusiasmo!
            Com o objetivo de se apresentar perante um auditório, de aplicar as regras da sessão e de praticar a escuta, a tarefa consistia em indicar (e por vezes eleger) o que mais se gosta e o que menos se gosta, com pelo menos uma razão para tal.

            «- O que eu mais gosto é de ser Rei!
            - Uau!… E és Rei de quê?
            - Sou Rei dos reis!
            - E o que há de bom em ser Rei dos reis?
            - É que eles fazem tudo aquilo que eu mando!»  E., 6 anos
            « - O que eu mais gosto é de flores!
            - Tens alguma preferida?
            - Sim, rosas.
            - Mas as rosas têm muitos espinhos… Porque é que gostas de rosas?
            - Por causa das pétalas: são vermelhas e… e… macias!!» C., 6 anos
            « - O que eu mais gosto é de estar com o meu pai. É muito divertido!»  M., 6 anos
            « - O que eu menos gosto é de ficar fechado em casa.
            - Porquê?
            - Porque a minha mãe dorme de dia e eu tenho que ficar fechado em casa. E a minha avó anda sempre lá, de um lado para o outro, e eu é que tenho de tomar conta dela. Porque ela é velhinha!» J., 6 anos
            E acabamos à boa maneira filosófica: «Eu tenho uma pergunta!...» que ficará para a próxima resenha…
            Laurinda Silva,
            Sessão 1, Filosofia para Crianças, 1º ano do 1º CEB, AESLA
            11 e 18 de Janeiro de 2012

            segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

            Aristóteles - contributos para a consulta filosófica

            "A felicidade é uma actividade."
            • Para Aristóteles, tal como para Platão, o indivíduo saudável habita uma cidade saudável. Os dois termos implicam-se e alicerçam-se. Como seres sociais aprendemos mais com e em relação com os outros do que pela introspecção e isolamento.
            • O conhecimento dos universais é possível apenas lidando activamente com particulares. Assim, grande parte do conhecimento exige "fazer". Esta é a forma de garantir uma base empírica real e experienciada a partir da qual podemos extrair conclusões, realizar generalizações e inferir princípios.
            • A vida é um exercício de equilíbrio: um compromisso entre apetites internos em conflito e princípios superiores, preocupações auto-centradas e responsabilidades partilhadas, ideais morais e limitações de carne e osso.
            • A escolha é possível e significativa apenas para os que conseguem exercer controlo sobre as suas paixões. Mas o auto-controlo não extingue as paixões, contém-nas.
            • Ser feliz é ser virtuoso, comprometido, activo.   

              sábado, 14 de janeiro de 2012

              Estoicismo - contributos para a consulta filosófica

              Pontos-chave:
              -A virtude consiste em viver de acordo com a natureza. 
              -O ser humano é perturbado mais pelas suas reacções e expectativas do que pelos próprios acontecimentos.
              -Dominar o desejo, pensar com precisão, realizar deveres são essenciais para a maturidade e bem estar pessoal.
              -É falacioso imaginar, e pouco inteligente esperar, que o mundo se adeque às nossos preferências.

              Como construir sentido para a existência? A proposta estóica  é evitar tornar-mo-nos servos da busca do prazer e usar a virtude como guia. A vida virtuosa é uma vivida de acordo com a natureza. Para o Estoicismo, tal significa viver de acordo com a razão.
              O adequado controlo sobre os pensamentos, sentimentos e acções, o conhecimento do respeito pelo outro bem como o auto-respeito, concedem-nos uma forte noção de identidade e direcção que não pode ser manipulada ou roubada mesmo nas mais injustas e opressivas situações.
                
              Rígidos e exigentes, ao longo dos séculos os princípios estóicos propiciaram um meio de auto-prevenção contra a desintegração face a circunstâncias que ameaçam esmagar o espírito humano.
              O Estoicismo é mais uma estratégia para a sobrevivência do que para a celebração da vida e o perigo da proposta estóica é a produção de uma mentalidade sobrevivalista. O estóico procura a paz, o conhecimento e o auto-controlo mas se tal busca for levada demasiado longe redunda numa opção pela negação da vida.

              Epicteto - "A felicidade não consiste em adquirir nem em gozar, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre."
              Marco Aurélio - "O homem comum é exigente com os outros; o homem superior é exigente consigo mesmo."

              Entradas sobre Estoicismo na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

              quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

              Filosofia para Crianças e Jovens, José Saramago e a Ilha Desconhecida

              “A ILHA DESCONHECIDA FEZ-SE ENFIM AO MAR, À PROCURA DE SI MESMA.”

              Em mais uma colaboração com o empreendedor Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), a Filosofia associa-se ao teatro de objectos, à dramaturgia e oficinas de escrita para proporcionar a alunos do 3ºciclo uma experiência estético-pedagógica que tem como ponto de partida O Conto da Ilha Desconhecida de José Saramago.
               
              Enteléquia-Filosofia Prática® projectou uma OFICINA PORTÁTIL DE FILOSOFIA de exploração das potencialidades filosóficas da obra.

               - Excertos do conto:
              “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”
              “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és.”
              “Todo o homem é uma ilha.”
              “Se tenho a linguagem (de marinheiro) é como se o fosse.”

              A OFICINA PORTÁTIL DE FILOSOFIA visitará as seguintes instituições:
              - Colégio Nossa Senhora da Conceição (12 Janeiro)
              - Centro Social de Polvoreira (4 Fevereiro)
              - Colégio de Vizela (13 Fevereiro)
              - Escola da Torre (data a definir)

              Filosofia nas Organizações: competências filosóficas - do Instrumental ao Substancial

              A ideia de que um bom profissional não se forma apenas com cursos técnicos não é de si novidade no universo empresarial. Não será necessário pensar muito para chegar à conclusão de que alguém com mais conhecimentos humanísticos e de cultura geral pode ter mais êxito no mundo dos negócios. A novidade é que as organizações aclamam a necessidade e utilidade deste modelo de formação para os seus colaboradores.
              Com os nossos workshops de Prática Filosófica visamos a apropriação e desenvolvimento de competências específicas da Filosofia, capazes de proporcionar e aperfeiçoar a flexibilidade cognitiva, despertar o espírito crítico, a criatividade e a capacidade de abstracção.
              A metodologia proposta alicerça-se no diálogo socrático (a Maiêutica como técnica) e na prática continuada do debate de ideias.
              Os diferentes exercícios práticos visam o desenvolvimento de diferentes competências filosóficas. Assim, e procurando que os participantes escapem aos modos quotidianos do pensamento, estes serão desafiados a: descobrir o valor da escuta; identificar e produzir Mundividências; discutir diferentes interpretações e a sua legitimidade; elaborar critérios decisionais; identificar pressupostos implícitos em produções orais (suas e dos outros); inferir conclusões; experimentar a imaginação como momento de pensamento criativo; identificar a estrutura lógica do pensamento e descobri-la como instrumento de análise e compreensão e organização do Real (Eu, o Outro, o Mundo).
              O objectivo geral da Filosofia nas Organizações é estabelecer a ligação entre o Instrumental e o Substancial. Por Instrumental entende-se a forma habitual de pensar ao nível da Gestão de Empresas. A Filosofia convida a pensar o Substancial, ou seja, o que é importante, imprescindível para o Grupo ou Empresa.
              Naturalmente que o pensamento Substancial está presente nas modernas práticas de gestão, mas é actualizado de forma auto-contida ou fechada na própria realidade da empresa (auto-referencial). A mais-valia da intervenção filosófica reside no facto de este pensamento ser externamente provocado e, como tal, aberto a novas possibilidades, ao (ainda) não-pensado.
              Este questionamento externo induz a fuga aos modos habituais de pensamento e coloca em causa de forma metodológica o próprio questionamento interno, ou seja, apresenta-se como um meta-questionamento que articula o concreto e o abstracto na busca da melhor relação entre objectivos, práticas e valores.

              terça-feira, 10 de janeiro de 2012

              ÉTICA E RAZÃO: RAZÃO COMUNICACIONAL

               A pretensão de universalidade centrada na intersubjectividade da comunicação.

              "(É na) diferença importante entre um consenso factual e um consenso racional, entre um acordo contingente de interesses que se conjugam, ou mesmo que se conciliam (...) e um acordo fundado na adesão a argumentos que são considerados como os melhores (...), que a discussão se junta à razão prática e que,então, podemos falar de razão comunicacional.
              Enuncia-se (o princípio da discussão) do seguinte modo: Só podem pretender à validade as normas que possam receber a concordância de todos os interessados, enquanto que participantes numa discussão prática."

              J-L. Ferry, As Virtudes da Discussão, in E.Morin e I.Prigogine, A Sociedade em Busca de Valores, Instituto Piaget, Lisboa, p.215

              quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

              Homem: universal, ilimitado e livre - a unidade do humano como princípio supremo da Filosofia

              O homem de nenhum modo se distingue do animal só pelo pensamento. Pelo contrário, o seu ser total é que o distingue do animal. Sem dúvida, aquele que não pensa não é homem algum; não é porque o pensamento seja a causa do ser humano, mas unicamente porque é uma consequência e uma prioridade necessária do mesmo ser humano.
              Por conseguinte, não precisamos aqui de sair do domínio da sensibilidade para reconhecer no homem um ser superior aos animais. O homem não é um ser particular como o animal, mas um ser universal, por conseguinte, não é um ser limitado e cativo, mas um ser ilimitado e livre; com efeito, a universalidade, a ilimitação e a liberdade são inseparáveis. E esta liberdade não reside numa faculdade particular, na vontade, da mesma maneira que esta universalidade não se situa numa disposição particular da faculdade de pensar, na razão – esta liberdade, esta universalidade estende-se ao seu ser total. (…)
              A arte, a religião, a filosofia ou a ciência são apenas as manifestações ou revelações do ser humano verdadeiro. Homem perfeito e verdadeiro é apenas quem possui o sentido estético ou artístico, religioso ou moral, filosófico ou científico - o homem em geral somente é aquele que nada de essencialmente humano exclui de si mesmo. Homo sum, humani nihil a me alienum puto – esta frase, tomada na sua significação mais universal e mais elevada, é a divisa do novo filósofo. 
              (…) O princípio supremo e último da filosofia é, pois, a unidade do homem com o homem. Todas as relações fundamentais – os princípios das diferentes ciências- são unicamente espécies e modos diferentes desta unidade.

              Ludwig Feuerbach, Princípios da Filosofia do Futuro e Outros Escritos, Edições 70, Lisboa, pp.96-99.

              A felicidade como posse e exercício das faculdades humanas e compreensão do mundo

              O ódio à razão, tão frequente nos nossos dias, é devido em grande parte ao facto dos movimentos da razão não serem concebidos duma forma suficientemente fundamental. O homem dividido contra si mesmo procura estímulos e distracções; ama as paixões fortes, não por razões profundas, mas porque momentaneamente lhe permitem evadir-se de si próprio e afastam dele a dolorosa necessidade de pensar.
              Toda a paixão é para ele uma forma de intoxicação, e desde que não pode conceber uma felicidade fundamental, a intoxicação parece-lhe o único alívio para o seu sofrimento. Isso, no entanto, é o sintoma duma doença de raízes profundas. Quando não há tal doença, a felicidade provém da plena posse das suas faculdades. É nos momentos em que o espírito está mais activo, em que menos coisas são esquecidas que se sentem alegrias mais intensas. Esta é, sem dúvida, uma das melhores pedras de toque da felicidade. A felicidade que exige intoxicação de não importa que espécie, é falsa e não dá qualquer satisfação. A felicidade que satisfaz verdadeiramente é acompanhada pelo completo exercício das nossas faculdades e pela compreensão plena do mundo em que vivemos.

              Bertrand Russell, A Conquista da Felicidade

              domingo, 1 de janeiro de 2012

              A especial vocação da Filosofia

              “To create a dialogue between reason and the heart, by raising heart-breaking questions, seems to me to be one way to describe the special vocation of philosophy.”    Jerome Miller, In The Throe of Wonder, p. 168

              quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

              The Age of Reason by Thomas Paine (1737–1809)

              Herdeiro da tradição de Hume, Espinosa, Voltaire e do deísmo inglês do início do século XVIII, Paine apresenta a sua DEFESA DO DEÍSMO numa linguagem simples, acessível e irreverente que retirou o "deism out of the hands of the aristocracy and intellectuals and [brought] it to the people."

              Excerts from THE AGE OF REASON (Follow the LINK):

              "I do not believe in the creed professed by the Jewish Church, by the Roman Church, by the Greek Church, by the Turkish Church, by the Protestant Church, nor by any church that I know of. My own mind is my own church. All national institutions of churches, whether Jewish, Christian or Turkish, appear to me no other than human inventions, set up to terrify and enslave mankind, and monopolize power and profit."

              "I believe in one God, and no more; and I hope for happiness beyond this life. I believe in the equality of man; and I believe that religious duties consist in doing justice, loving mercy, and endeavoring to make our fellow-creatures happy."

              quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

              PHILOSOPHY: WHAT FOR?

              "Philosophy is thinking in slow motion. It breaks down, describes and assesses moves we ordinarily make at great speed - to do with our natural motivations and beliefs. It then becomes evident that alternatives are possible."John Campbell, Philosophers

               "The object of philosophy is the logical clarification of thoughts. Philosophy is not a theory but an activity. A philosophical work consists essentially of elucidations. The result of philosophy is not a number of ‘philosophical propositions’, but to make propositions clear. Philosophy should make clear and delimit sharply the thoughts which otherwise are, as it were, opaque and blurred." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

              "What is the aim of philosophy? To be clear-headed rather than confused;lucid rather than obscure; rational rather than otherwise; and to be neither more, nor less, sure of things than is justifiable by argument or evidence." G.J. Warnock, Philosophers

              "Philosophy, though unable to tell us with certainty what is the true answer to the doubts it raises, is able to suggest many possibilities which enlarge our thoughts and free them from the tyranny of custom. Thus, while diminishing our feeling of certainty as to what things are, it greatly increases our knowledge as to what they may be; it removes the somewhat arrogant dogmatism of those who have never travelled into the region of liberating doubt, and it keeps alive our sense of wonder by showing familiar things in an unfamiliar aspect." Bertrand Russell, The Problems of Philosophy

              terça-feira, 20 de dezembro de 2011

              O Primeiro Alcibíades - Platão

              De todos os textos platónicos de autenticidade discutível, o presente encerra o maior mérito dialéctico e filosófico. Difere de outras composições platónicas: o objectivo é mais directamente ético e exortativo

              Tema: Doutrina socrática do auto-conhecimento.
              Faça o download AQUI.(tradução inglesa)

              "- Alcibiades : Perhaps, Socrates, you are not aware that I was just going to ask you the very same question: What do you want? And what is your motive in annoying me, and always, wherever I am, making a point of coming?  I do really wonder what you mean, and should greatly like to know.
              - Socrates : Then if, as you say, you desire to know, I suppose that you will be willing to hear, and I may consider myself to be speaking to an auditor who will remain, and will not run away?"

              segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

              FELICIDADE - A PROPOSTA EPICURISTA (Vídeo)

              Episódio da série televisiva do Channel 4  Philosophy: A Guide To Happiness.
              Alain de Botton, autor de The Consolations of Philosophy, cuja estrutura, abordagem temática e simplicidade inspiram a série, apresenta
               
               

              quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

              Autenticidade e inautenticidade existencial

              A dificuldade de responder à exigência de "ser eu próprio" e sua relevância no projecto vital de cada homem fazem da busca da existência autêntica um dos temas abordados com mais frequência nas consultas de Aconselhamento Filosófico.

              “A noção de inautenticidade tem grande relevo nos filósofos da existência. Já o advertimos. Heidegger considera uma inevitável estrutura humana a ‘queda na inautenticidade’: é a situação do homem que vive exclusivamente do ‘se’ (diz-se, faz-se, etc.), actuando sem assumir pessoal e originalmente o seu projecto vital, mas deixando-se simplesmente arrastar pelos condicionalismos vitais e sociais. É óbvio que essa existência perde assim grande parte do seu valor. E é também então quase óbvio formular que deve tratar de reencontrar a sua autenticidade.
              Provavelmente, o conceito provém da moderna Psicologia profunda. (…) Lersh define autenticidade e inautenticidade como os dois modos (positivo ou negativo) de integração ‘vertical’ do fundo endotímico com o eu superior. Consequentemente, a vontade pode ser dita autêntica, quando a sua decisão ‘chega ao fundo’, quer dizer, arrebata consigo o fundo endotímico, integrando-o. O mesmo poderemos dizer do pensamento, enquanto ‘convicção’. São causas de inautenticidade as pressões da convivência social; assim como uma tendência à notoriedade, especialmente vigente em certos indivíduos. Em geral, a conduta psicologicamente inautêntica acusa pobreza de fundo. A solução está na busca da integração, que deverá começar pela aceitação da própria realidade tal como ela é.
              (…) Radicalizando estas reflexões até torná-las ‘existenciais’, encontramos como definição de autenticidade a fidelidade ao próprio projecto vital. Isto supõe um duplo elemento: primeiro, a não abdicação da própria originalidade pela qual o projecto é projecto: o que verdadeiramente vive no homem, o seu enfrentar da realidade ‘desde si mesmo’, ao contrário do animal, que vive simplesmente entregue aos estímulos, respondendo-lhes segundo as leis específicas e as peculiaridades da circunstância externa.
              Em segundo lugar, a autenticidade existencial supõe que o projecto vital que cada homem é está, de algum modo, dado no mesmo homem previamente à sua decisão. Uma decisão forçada contra o próprio fundo do homem, fá-lo inevitavelmente inautêntico. O homem tem que conformar-se consigo próprio. Heidegger, no final de algumas das suas análises em Ser e Tempo recorda o ‘sê tu próprio’, pronunciado tantas vezes pela diversas escolas morais."
              José Gomez Cafarena, Metafísica Fundamental

              segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

              Ortega y Gasset - a vida como problema a ser resolvido

              "A vida é-nos dada, ou, melhor dito, é-nos atirada, ou somos atirados a ela; mas isso que nos é dado, a vida, é um problema que nós precisamos de resolver. E é assim não só nesses casos de especial dificuldade que qualificamos, peculiarmente, de conflitos e aflições, mas é-o sempre."
              Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia?, Lisboa, Edições Cotovia, p.168.

              quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

              LA CONSULTATION PHILOSOPHIQUE: LES DIFFICULTÉS

              ÍNDICE
              - Les frustrations
              - La parole comme prétexte
              - Douleur et péridurale
              - Universel et singulier
              - Accepter la pathologie

              Leia o artigo de OSCAR BRENIFIER AQUI.(Consultation Philosophique)

              "(...)Un des aspects de notre pratique qui pose problème au sujet, est le rapport à la parole que nous tentons d'installer. En effet, d'une part nous lui demandons de sacraliser la parole, puisque nous nous permettons de peser attentivement, ensemble, le moindre terme utilisé, puisque nous nous autorisons à creuser de l'intérieur, ensemble, les expressions utilisées et les arguments avancés, au point de les rendre parfois méconnaissables pour leur auteur, ce qui l'amènera de temps à autre à crier au scandale en voyant sa parole ainsi manipulée. Et d'autre part nous lui demandons de désacraliser la parole, puisque l'ensemble de cet exercice n'est composé que de mots et que peu importe la sincérité ou la vérité de ce qu'il avance: il s'agit simplement de jouer avec les idées, sans pour autant adhérer nécessairement à ce qui est dit. Seule nous intéressent la cohérence, les échos que se renvoient les paroles entre elles, la silhouette mentale qui se dégage lentement et imperceptiblement. Nous demandons simultanément au sujet de jouer à un simple jeu, ce qui implique une distanciation par rapport à ce qui est conçu comme le réel, et en même temps nous lui demandons de jouer aux mots avec le plus grand sérieux, avec la plus grande application, avec plus d'effort qu'il ne met généralement à construire son discours et à l'analyser.(...)"